(Gerada por IA) Entre lantejoulas, adereços, boas risadas com os amigos, muita marchinha e alegria, acabo de completar 47 Carnavais de vida! Foi mesmo na terça-feira, no auge da folia. Eu nasci em um sábado de Carnaval. Minha mãe conta — e adoro essa história — que enquanto ela esperava a hora da cesariana no Hospital Ana Costa, ouvia ao longe a música vindo dos blocos de rua. Mas quem me versou na arte de brincar na festa de Momo foram minhas tias. Com um aninho, lá estava eu, vestida de fadinha, fralda e chupeta na boca, na minha primeira matinê. Dali em diante, seguiram-se incontáveis blocos e bailes, fantasias coloridas e confetes jogados para o alto. Por conta da escrita da tese de doutorado, em 2025 abri mão de pular atrás dos trios. Para compensar, hoje já comecei logo no pré-Carnaval de São Paulo (melhor a cada edição). Fui com um vizinho amigo meu e amigos dele (só gente boa) no Fabuloso Bloco da Amélie Pulando, inspirado no icônico filme francês O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, de 2001. A produção é um clássico sobre encontrar beleza nas pequenas coisas. Coincidência ou não, vi uma cena de aquecer o coração: um pai abria os braços enquanto seu pequeno folião de chapéu, suspensórios e calção vermelho corria em sua direção. Juntos com a mamãe do menininho, a família dançou sorrindo o tema do filme, que anunciava a parada estratégica do bloco. Pequenas coisas. Criar memórias felizes. Foram mais de duas horas em uma esquina do bairro de Pinheiros. As marchinhas brasileiras receberam algumas alterações com referências divertidas à cultura francesa. Teve gente vestida de croissant, Ratatouille, Torre Eiffel e muita boina de ladinho na cabeça. A chuva veio forte, todo mundo correu para se abrigar, sem jamais parar de dançar. A chuva amainou, todo mundo cercou a banda novamente, e cantou alto. Eu parei um pouquinho. Comprei uma pipoca doce, daquelas vermelhas que melam a mão e deixam os dedos cor-de-rosa. Há tempos não me permitia uma pipoquinha dessas. Adoçou aquele momento bonito, em que fiquei admirando tanta felicidade, abrigada do chuvisco debaixo da tenda do carrinho do tio da pipoca. Pequenas coisas. Respeito quem não gosta de Carnaval. Não respeito quem critica quem gosta. Taxar foliões de alienados que se divertem em um país cheio de problemas é uma visão, no mínimo, simplista. Partindo desse princípio, acabaremos com Réveillon, Festa Junina, formatura, comemoração de aniversário e afins? Credo. Que tristeza seria. Cabe uma análise pessoal: por que a alegria do outro te incomoda? Por que o que não compatibiliza com o seu padrão é pior? Ou será que está faltando um tempero (ou uma marchinha) nos seus dias? Enxergar além da própria bolha é um exercício sempre importante. Para muitas pessoas, a festa gratuita que corre pelas ruas no Carnaval é uma das poucas chances do ano de diversão com amigos e família. Quem tem um cotidiano difícil merece curtir e aliviar o estresse tanto quanto quem pode pagar um pacote de resort. Você acredita que não? Por quê? Pense melhor de onde vem seu desconforto particular. Os excessos existem, sem dúvidas. Mas isso não é sobre o Carnaval. É sobre a sociedade que construímos, cheia de intolerâncias e crenças de que vale o que cada um acha ou quer individualmente. Sejam os que curtem a folia, sejam os que não. Para mim, uma coisa é certa: nascer e ser foliã faz de mim alguém com a vida muito mais feliz e especial. P.S.: Ouça a encantadora A Valsa de Amélie, música tema do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, do compositor Yann Tiersen. Você encontra nos streamings. Agrada a todos os gostos e você dançará na sala — talvez o temperinho que anda faltando por aí.