Bactéria H. pylori pode evoluir para doenças mais graves caso não seja diagnosticada e tratada corretamente (FreePik) Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil conta com mais de 21 mil novos casos de câncer de estômago por ano. Trata-se do quarto tipo de tumor mais comum nos homens e o sexto nas mulheres. O médico oncologista Tiago Felismino, da equipe de Aparelho Digestivo e Colorretal do hospital oncológico A.C. Camargo, alerta que o diagnóstico precoce é essencial. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! “O rápido reconhecimento dos sintomas e a realização de uma endoscopia digestiva alta são imprescindíveis. As novas estratégias de tratamento, como imunoterapia e terapia-alvo, têm gradativamente melhorado a sobrevida dos pacientes com a doença em estágio mais avançado”, destaca. Dor de estômago, azia, má digestão, sensação de empachamento mesmo comendo pouco, dificuldade para engolir, refluxo (nos casos de tumores na parte mais alta do estômago), inchaço no abdômen, náusea, vômitos, perda de apetite, diarreia ou prisão de ventre e perda de peso inexplicável são alguns sinais. No entanto, aquela sensação de queimação no estômago merece uma visita ao médico. O consumo constante e indiscriminado de remédios para azia e má digestão pode, por exemplo, mascarar a infecção por Helicobacter pylori (ver quadro), que pode evoluir para câncer de estômago se não for diagnosticada e tratada corretamente. Alguns outros fatores como consumo excessivo de sal, conservas e defumados, fumo e idade avançada (o câncer de estômago costuma aparecer em pessoas com mais de 55 anos) aumentam o risco de desenvolver tumores, mas isso não quer dizer que necessariamente a pessoa contaminada terá a doença. O tratamento para o câncer de estômago, em geral, é a cirurgia. Tumores extremamente precoces podem ser removidos por endoscopia. Nos casos mais adiantados, é indicada uma gastrectomia (cirurgia para retirada do tumor do estômago), que pode ser total, em que todo o estômago é removido, ou parcial, em que uma parte do órgão é preservada. A cirurgia associada a um esquema correto de quimioterapia e/ou radioterapia trata e cura cerca de 60% a 70% dos pacientes com doença localizada ou regional. Bactéria perigosa Muitas vezes silenciosa, a bactéria Helicobacter pylori atinge 50% das pessoas no mundo. No entanto, a contaminação causa inflamação crônica na mucosa, que pode levar a alterações celulares ao longo dos anos, evoluindo para gastrite, metaplasia, displasia (alteração das células) e, por fim, adenocarcinoma gástrico. A infecção por H. pylori tem tratamento com antibióticos, o que reduz significativamente o risco de câncer gástrico. Entre os sintomas estão queimação ou dor no estômago (especialmente em jejum ou à noite), arrotos constantes, náuseas, perda de apetite, emagrecimento e, em casos mais graves, vômitos com sangue e fezes escuras. Além de evoluir para gastrites e úlceras, a H. pylori é responsável por cerca de 90% dos casos de câncer gástrico não cardíaco (região inferior do estômago). Também está associada ao linfoma malt, um tipo raro de câncer do sistema linfático, e até doenças dermatológicas como rosácea e urticária crônica. A bactéria pode ser transmitida pela saliva, água ou alimentos contaminados. Em geral, o diagnóstico é feito por meio de endoscopia com biópsia e exame de fezes. O tratamento é feito com antibióticos como claritromicina, amoxilina ou metronidazol, além de um inibidor de bomba de prótons, como omeprazol, pelo período de sete a 14 dias. Após o tratamento, deve-se evitar café, chá preto, refrigerantes, álcool, alimentos gordurosos e muito condimentados e cigarro. É importante refazer o exame após o período de quatro a oito semanas para confirmar a erradicação.