Alimentos industrializados passam por diversas etapas de processamento, o que favorece a presença de substâncias químicas (Arquivo) O consumo frequente de alimentos ultraprocessados pode aumentar significativamente o risco de desenvolver câncer colorretal, um dos tipos mais comuns da doença no Brasil. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), esses alimentos foram classificados no grupo 1 de substâncias cancerígenas, ao lado do tabaco e do amianto, por sua forte associação com a doença. Entre os principais mecanismos envolvidos estão a inflamação crônica, a alteração da microbiota intestinal e a presença de aditivos químicos com potencial carcinogênico. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! “O risco está justamente na composição e no processamento desses produtos. A inflamação crônica, a alteração da microbiota intestinal e a exposição a aditivos presentes nesses alimentos são os principais vilões”, afirma Pedro Moraes, oncologista do Hospital Estadual de Franco da Rocha. Alimentos como salsichas, embutidos, biscoitos recheados, refrigerantes, macarrão instantâneo e outros industrializados passam por diversas etapas de processamento, o que favorece a presença de substâncias químicas como os nitritos. No organismo, esses compostos podem se transformar em nitrosaminas, que são reconhecidamente cancerígenas. A nutricionista Ana Carolina Leite destaca que esses produtos são pobres em fibras, ricos em gorduras saturadas, açúcares e compostos artificiais que desequilibram a flora intestinal. “Não existe uma quantidade segura para o consumo, apenas uma frequência. Quanto maior a presença desses alimentos na dieta, maior o risco. O ideal é que o consumo seja esporádico”, alerta. Ana Carolina também orienta que a leitura dos rótulos é uma forma prática de identificar alimentos ultraprocessados. “Produtos alimentícios com mais de cinco ingredientes exigem atenção. A presença de nomes como edulcorantes artificiais (acessulfame de potássio, aspartame), glutamato monossódico, corantes artificiais (tartrazina, amarelo 5), xarope de milho, glicose, frutose, propionato de cálcio, sulfito de sódio e nitratos/nitritos já acendem um alerta. A dica de ouro é: quanto menos ingredientes, melhor.” Terceiro mais frequente No Brasil, o câncer colorretal é o terceiro mais frequente, excluindo o câncer de pele não melanoma, com estimativa de 45 mil novos casos por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Esses tumores se originam nas células que revestem o intestino e podem surgir a partir de lesões pré-cancerosas, como os pólipos, caso não sejam detectadas e removidas precocemente. “Embora a predisposição genética seja relevante, a maioria dos casos é esporádica, o que reforça a importância de hábitos saudáveis e do rastreamento regular”, explica Moraes. Ele destaca ainda que uma alimentação balanceada, rica em fibras, frutas, legumes e verduras, pode proteger o organismo e reduzir processos inflamatórios. A recomendação está alinhada com o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, que sugere priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, legumes, arroz, feijão, raízes, carnes, peixes, ovos e leite. “Esse tipo de alimentação favorece uma microbiota intestinal saudável e fortalece a proteção do organismo contra doenças crônicas”, reforça Ana Carolina. Entre os sintomas mais comuns do câncer colorretal estão alterações persistentes nos hábitos intestinais, sangramento retal, dor abdominal, perda de peso inexplicada e anemia. Moraes alerta: “A identificação precoce é essencial para o sucesso do tratamento. O rastreamento regular, com exames como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, pode salvar vidas.” A prevenção, portanto, passa por escolhas alimentares conscientes, prática regular de atividade física, redução do consumo de álcool e abandono do tabagismo. “Adotar hábitos saudáveis e buscar orientação médica ao primeiro sinal de alteração são atitudes que podem fazer toda a diferença”, conclui o oncologista.