O vírus da pólio é classificado como altamente infeccioso, capaz de invadir o sistema nervoso central e causar paralisia (AdobeStock) Sempre é importante ressaltar a importância da imunização para impedir o retorno de uma doença que marcou gerações. Até meados da década de 1950, a poliomielite era um pesadelo que deixava sequelas irreversíveis e ceifava vidas, sobretudo entre crianças. Hoje, graças à vacinação, a doença está erradicada no Brasil — mas o alerta dos especialistas é claro: manter as vacinas em dia é essencial para que o país continue livre do vírus. A pediatra infectologista Carolina Brites explica que a poliomielite é causada por um vírus que se instala no intestino e pode atingir o sistema nervoso central, levando à paralisia dos membros e, em casos graves, à morte. “Os sinais e sintomas são bem inespecíficos e podem evoluir para dificuldade respiratória e morte”, ressalta a médica. No Brasil, a imunização começou com a famosa gotinha, símbolo de campanhas que marcaram gerações. Desde 2014, porém, a aplicação passou a ser intramuscular, com o objetivo de ampliar a segurança e a cobertura vacinal. O esquema segue o calendário do Ministério da Saúde: doses aos 2, 4 e 6 meses de idade, com reforço entre 15 e 18 meses. “A poliomielite está erradicada no nosso país justamente pelo sucesso da vacinação. Cabe a nós, pais e profissionais de saúde, garantir que esses vírus não retornem e que a gente não precise reviver histórias trágicas como as da década de 1950”, alerta Carolina Brites. A especialista reforça que a manutenção da cobertura vacinal é um compromisso coletivo, fundamental para proteger as futuras gerações e garantir que a poliomielite permaneça apenas como uma lembrança do passado. Com a proximidade do Dia Mundial de Combate à Poliomielite, celebrado na próxima sexta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) busca conscientizar sobre a importância da vacinação, além de reforçar o compromisso global pela erradicação definitiva da doença. Transmitido principalmente por via fecal-oral, o vírus da pólio é classificado como altamente infeccioso, capaz de invadir o sistema nervoso central e causar paralisia. A estimativa é que uma em cada 200 infecções leve à paralisia irreversível, geralmente das pernas. Entre os acometidos, 5% a 10% morrem por paralisia dos músculos respiratórios. Os casos da doença em todo o mundo diminuíram 99% desde 1988, passando de 350 mil para seis casos em 2021, em razão de campanhas de vacinação em massa. Esforços ainda são necessários para erradicar o vírus por completo do planeta. A pólio figura atualmente como a única emergência em saúde pública de importância internacional mantida pela OMS. O Brasil recebeu o certificado de eliminação da pólio em 1994. No entanto, até que a doença seja erradicada no mundo, existe o risco de um país ou continente ter casos importados e o vírus voltar a circular no território.