Feito Pipa, de Allan Deberton, ganhou dois prêmios em Berlim (Reprodução/Instagram @debertonfilmes) A Academia Brasileira de Cinema anunciou, na segunda-feira, os 15 filmes inscritos para disputar uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2027. São 13 ficções e dois documentários. Desses, seis títulos serão selecionados em 9 de setembro e apenas um será escolhido, no dia 16, para representar o Brasil. A partir daí, começará a longa e árdua jornada para conquistar a atenção da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e chegar à lista final de indicados. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O cinema nacional tem opções, mas nenhum dos concorrentes reúne, até o momento, um nome de forte projeção internacional na direção ou no elenco protagonista — um diferencial que pode ajudar na campanha pelo Oscar. Concorrem os filmes 100 Dias, de Carlos Saldanha; A Conspiração Condor, de André Sturm; A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo; Ato Noturno, de Marcio Reolon e Filipe Matzembacher; Cinco Tipos de Medo, de Bruno Bini; Dolores, de Maria Clara Escobar e Marcelo Gomes; Feito Pipa, de Allan Deberton; Herança de Narcisa, de Clarissa Appelt e Daniel Dias; Nosso Segredo, de Grace Passô; O Rei da Internet, de Fabrício Bittar; Malês, de Antonio Pitanga; Papagaios, de Douglas Soares; Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins; além dos documentários A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai, e Quando Vira a Esquina, de Chris Alcazar. Mas a escolha da Academia Brasileira de Cinema é apenas o primeiro passo. Para chegar ao Oscar, o filme precisará conquistar espaço em uma disputa internacional marcada por grandes produções, fortes campanhas de divulgação e premiações nos principais festivais do mundo. A Academia de Hollywood também criou novas regras para a categoria de Melhor Filme Internacional. A partir de 2027, além do filme escolhido oficialmente por seu país, uma produção em língua não inglesa poderá se tornar elegível se conquistar prêmios em festivais importantes como Cannes (França), Berlim (Alemanha), Busan (Coreia do Sul), Sundance (Estados Unidos), Toronto (Canadá) e Veneza (Itália). Nessa modalidade, o reconhecimento passa a ser atribuído ao próprio filme e ao diretor, e não ao país. Entre os candidatos brasileiros, alguns já chegam com uma trajetória internacional relevante. Feito Pipa venceu dois prêmios na Berlinale deste ano: o Urso de Cristal e o Grande Prêmio do Júri Internacional. A Natureza das Coisas Invisíveis também concorreu em Berlim e Busan. A Fabulosa Máquina do Tempo, Nosso Segredo e Ato Noturno também estiveram na Berlinale. Outro destaque é Vicentina Pede Desculpas, selecionado para os festivais de Toronto (Canadá) e San Sebastián (Espanha). Nosso Segredo, por sua vez, venceu três prêmios no Festival de Gramado neste mês: Melhor Longa-Metragem de Ficção, Fotografia e Direção de Arte. A experiência recente mostra que a campanha também pode ser decisiva. Ainda Estou Aqui (2024), de Walter Salles, conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, concorrendo ainda nas categorias de Melhor Filme e Melhor Atriz (Fernanda Torres). Já O Agente Secreto (2025), de Kleber Mendonça Filho, foi indicado ao Oscar 2026 nas categorias de Filme, Filme Internacional, Ator (Wagner Moura) e Direção de Elenco, mas não ganhou nenhum prêmio. Por isso, a pergunta não é qual filme será escolhido para representar o Brasil, mas qual deles terá força para ser indicado ao Oscar. O representante brasileiro ainda poderá disputar outras categorias, caso cumpra os critérios de elegibilidade e consiga espaço na votação geral da Academia. A torcida, portanto, é para que o Brasil tenha novamente um filme entre os grandes nomes no Oscar. A indicação dá visibilidade aos realizadores e ao elenco, fortalecendo a presença do cinema brasileiro no mercado audiovisual internacional. A 99ª cerimônia de entrega do Oscar será realizada no dia 14 de março de 2027, no Dolby Theatre, em Los Angeles (EUA). Brasil busca vaga no Oscar 2027 sem favorito