Durante muito tempo, os banheiros acessíveis foram associados a ambientes com aparência hospitalar, onde a funcionalidade prevalecia sobre qualquer preocupação estética. Hoje, porém, a arquitetura e o design de interiores mostram que segurança, conforto e beleza podem coexistir no mesmo espaço. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Essa mudança de olhar apareceu de forma clara na Casacor 2026, que termina hoje no Parque da Água Branca, em São Paulo, onde as arquitetas Mia Kamimura e Letícia Nannetti apresentam projetos que incorporam os princípios da acessibilidade desde a concepção. Em vez de adaptações posteriores, os recursos de apoio e mobilidade fazem parte da linguagem arquitetônica dos ambientes. No espaço Entre o Visível e o Invisível, Mia Kamimura assina um banheiro conceitual de 32 metros quadrados que propõe uma experiência sensorial inspirada no tema da mostra: Mente e Coração. O ambiente reúne cabines, área de trocador e banheiro acessível, valorizando a fluidez da circulação e o conforto dos usuários. Um dos destaques do projeto é o uso de vidro comutável PDLC nas cabines. A tecnologia permite que o vidro alterne entre transparente e opaco quando a porta é trancada, garantindo privacidade e reforçando o conceito de transição entre aquilo que se revela e aquilo que permanece protegido. No banheiro acessível, Mia optou por integrar os elementos técnicos à composição visual. As barras de apoio em acabamento preto criam contraste com as louças brancas e dialogam com a linguagem contemporânea do espaço. Obras de arte em tons de azul, verde e terrosos, além de um espelho de formas orgânicas, ajudam a construir uma atmosfera acolhedora e distante da estética institucional. A materialidade também tem papel importante na proposta. Bancadas revestidas com ripas abauladas de granito abstrato apresentam veios marcantes em tons de bege, cinza e verde, enquanto a marcenaria combina freijó e hibisco para criar um ambiente sofisticado e convidativo. “A ideia surgiu da vontade de criar um espaço que acolhesse o corpo e também a mente. Um ambiente onde a experiência não estivesse apenas na função, mas na forma como cada pessoa percebe a luz, os materiais, os reflexos e a própria sensação de permanência.” (Sidney Doll/Divulgação) Longevidade Já no Estúdio Universal Âmbar, Letícia Nannetti apresenta um espaço de 54 metros quadrados inspirado na ideia de um morar capaz de acompanhar as transformações do corpo ao longo da vida. O projeto explora os conceitos do desenho universal de forma intuitiva, promovendo autonomia, conforto e acolhimento sem evidenciar soluções técnicas. “O espaço propõe uma arquitetura capaz de acompanhar as transformações do corpo com naturalidade e sensibilidade”, explica Letícia. Logo na entrada, um vitral autoral em tons inspirados no âmbar filtra a luz natural e modifica a percepção do ambiente ao longo do dia. A peça, desenhada pela própria arquiteta, funciona como elemento sensorial e reforça a proposta de um espaço atemporal, capaz de acolher diferentes ritmos e formas de viver. Na área íntima, quarto e banheiro seguem a mesma linguagem visual. As soluções espaciais favorecem a circulação e o deslocamento, enquanto o mobiliário adota princípios ergonô-micos, com geometrias suaves e cantos arredondados que acompanham naturalmente os movimentos do corpo. Entre os elementos mais inovadores do projeto estão as barras de apoio desenhadas pelo escritório de Letícia. Além da função de acessibilidade, elas incorporam um porta-objetos integrado, ampliando a praticidade e conferindo uma estética mais refinada. (Sidney Doll/Divulgação)