No Brasil, seis pessoas morrem por hora em decorrência de AVC (Adobe Stock) Os casos de AVC aumentaram 70% no mundo nas últimas três décadas. No Brasil, seis pessoas morrem por hora em decorrência da doença, que já supera o infarto como principal causa de morte cardiovascular e atinge faixas etárias cada vez mais jovens. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Fraqueza em um dos braços, fala arrastada e um lado do rosto repentinamente torto. Esses são os sinais mais comuns de um acidente vascular cerebral — e, diante deles, cada minuto conta. O reconhecimento rápido dos sintomas é o primeiro passo para salvar o cérebro e evitar sequelas graves. Segundo o neurocirurgião funcional Rômulo Marques, do Hospital Unique, o tempo é decisivo. “A janela terapêutica é curta: a trombólise (tratamento de emergência para o AVC isquêmico) pode ser feita em até 4,5 horas, e a trombectomia, em até 24 horas em alguns casos. O reconhecimento dos sinais é fundamental para o sucesso do tratamento”, explica. Os sintomas seguem o protocolo FAST, com as iniciais em inglês de face (rosto), arm (braço), speech (fala) e time (tempo). É importante observar se há assimetria facial ou boca torta, o que indica comprometimento do rosto; fraqueza ou dificuldade para levantar um dos braços, sinal de alteração nos membros superiores; e fala arrastada ou incompreensível. Diante de qualquer um desses sinais, o tempo é essencial — deve-se acionar imediatamente o Samu, no telefone 192. “Cada minuto conta, porque quanto mais rápido o diagnóstico e o início do tratamento, maiores são as chances de recuperação completa e menores os riscos de sequelas permanentes”, reforça o especialista. Entre janeiro e agosto de 2024, 39.345 brasileiros morreram vítimas da doença, o que representa seis mortes por hora. No total, foram 85.427 óbitos no ano, número superior aos 77.886 casos fatais de infarto registrados no mesmo período, segundo dados do Portal da Transparência do Registro Civil (Arpen Brasil). No mundo, o estudo Global Burden of Diseases mostra que os casos de AVC aumentaram 70% entre 1990 e 2021, com 44% mais mortes e 32% mais sequelas graves. Hoje, o AVC é a segunda principal causa de morte no planeta, responsável por cerca de 11% de todos os óbitos globais. “Enquanto outros países reduziram as mortes por AVC com prevenção e atendimento rápido, o Brasil ainda enfrenta diagnóstico tardio, desigualdade no acesso à saúde e baixa adesão ao tratamento contínuo”, avalia Marques. A alta mortalidade está diretamente ligada ao controle inadequado da pressão arterial, diabetes e colesterol, além de hábitos de vida prejudiciais, como má alimentação, sedentarismo e uso de substâncias. “Temos visto um aumento de AVCs em jovens ligados a fatores antes típicos de adultos mais velhos, como hipertensão, obesidade, tabagismo, uso de drogas e estresse crônico. Os hábitos de vida estão piores e o controle médico, menor”, alerta o neurocirurgião. Entre os mais jovens, a principal causa é a dissecção arterial, uma ruptura na parede da artéria que interrompe o fluxo de sangue ao cérebro. Ela pode ocorrer após traumas leves, movimentos bruscos ou exercícios intensos. Para Marques, a prevenção continua sendo a ferramenta mais poderosa. “É essencial reduzir o consumo de sal e ultraprocessados, manter uma alimentação rica em frutas, verduras e grãos integrais, praticar atividade física regularmente e evitar tabaco e álcool em excesso”, orienta. A reabilitação precoce também é fundamental para minimizar sequelas. “Ela começa nas primeiras 48 horas e envolve fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos e médicos. Novas técnicas de neuroestimulação guiadas por inteligência artificial têm mostrado resultados promissores, mas o acesso ainda é limitado no SUS”. FIQUE ATENTO AOS SINTOMAS DO AVC Protocolo FAST Rosto: assimetria facial, boca torta Braço: fraqueza ou dificuldade de levantar um dos braços Fala: arrastada ou incompreensível Tempo: acione o Samu (192) imediatamente A cada minuto, 1,9 milhão de neurônios morrem durante um AVC. Reconhecer os sinais pode ser a diferença entre a vida e a sequela.