(Adobe Stock) Doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil e no mundo, responsáveis por quase 30% dos óbitos anuais no País, segundo o Ministério da Saúde. E as desigualdades sociais e de gênero estão diretamente ligadas ao adoecimento e à morte precoce por infarto e AVC. Negros, mulheres e moradores de regiões mais pobres do Brasil morrem mais de doenças do coração. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com o médico cardiologista Jorge Ferreira, coordenador do Laboratório de Habilidades Médicas e Simulação da Unig, os grupos mais vulneráveis são justamente os que têm menos acesso a informações de qualidade, exames preventivos e medicamentos essenciais para o controle da pressão alta e de outras doenças crônicas. “A renda inferior e a baixa escolaridade reduzem o acesso a informações de qualidade, a exames preventivos e, principalmente, a medicamentos indispensáveis para o controle da hipertensão, das arritmias e da insuficiência cardíaca. Isso explica por que os índices de mortalidade cardiovascular são muito maiores nessas populações”, afirma. A hipertensão arterial, por exemplo, é a principal porta de entrada para infartos e AVCs –, considerada uma “doença silenciosa”. Este ano, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) atualizou sua diretriz e passou a considerar como pré-hipertensos os indivíduos com pressão entre 120x80 mmHg e 139x89 mmHg. “O objetivo foi chamar atenção para o risco precoce, já que mudanças simples no estilo de vida podem impedir a progressão para hipertensão de fato”, explica Jorge Júnior. “Um pré-hipertenso responde muito bem a medidas não medicamentosas, como exercícios físicos, boa alimentação e cuidado psicoemocional. Isso tem excelente impacto no controle da pressão arterial”. Para o especialista, para ser efetivo, o combate às doenças cardiovasculares, sobretudo numa sociedade marcada pela desigualdade, precisa vir de políticas públicas: educação alimentar nas escolas; espaços públicos adequados para a prática de exercícios e campanhas contínuas de conscientização. Embora a tecnologia avance, ela ainda não está disponível a todos. Relógios inteligentes que monitoram arritmias, saturação de oxigênio e até variações de pressão arterial já são realidade, assim como estetoscópios com inteligência artificial capazes de prever alterações cardíacas. Mas o custo elevado mantém essas inovações restritas a uma minoria. “Na rede pública, os exames de ponta ainda estão concentrados em grandes centros, longe da realidade da maior parte da população”, observa Jorge Júnior. Segundo o cardiologista, investimento público em prevenção e na conscientização sobre estilo de vida saudável é o remédio mais eficaz contra as doenças do coração. “A orientação é clara: menos alimentos ultraprocessados e mais frutas, legumes e verduras. Além disso, ao menos 150 minutos de atividade física moderada por semana já reduzem drasticamente o risco de infarto e AVC – benefícios que nenhum medicamento sozinho consegue oferecer”, conclui Jorge Júnior. Como se proteger em cinco passos Meça sua pressão regularmente Mesmo sem sintomas, a hipertensão pode causar danos graves. Procure aferir a pressão ao menos uma vez por ano. Faça isso com maior frequência se houver histórico familiar Desembrulhe menos, descasque mais Prefira alimentos naturais, como frutas, legumes e verduras, no lugar de ultraprocessados Mexa-se sempre Pratique ao menos 150 minutos semanais de atividade física moderada – pode ser caminhada, bicicleta ou dança Cuide do seu sono e do estresse Noites mal dormidas e níveis elevados de ansiedade aumentam o risco de hipertensão e infarto. Busque estratégias de relaxamento e, se necessário, apoio psicológico. Não fume e modere o álcool O tabagismo multiplica o risco de doenças cardíacas, e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas também compromete o coração. *Cláudia Duarte Cunha é jornalista especialista em saúde. clauduarte@uol.com.br