No Brasil, o Registro Civil contabilizou 89.490 mortes pela doença em 2025 (Adobe Stock) O acidente vascular cerebral (AVC) está entre as principais causas de morte e incapacidade no mundo. Segundo a Organização Mundial do AVC, estima-se que uma em cada quatro pessoas com mais de 25 anos terá um episódio ao longo da vida. No Brasil, o Registro Civil contabilizou 89.490 mortes pela doença em 2025. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A rapidez no atendimento pode influenciar as possibilidades de tratamento e a extensão das sequelas. Segundo o neurologista William Almeida, do Grupo Santa Saúde, reconhecer os sintomas e chegar a um serviço preparado para atender esses casos são etapas decisivas. “Costumamos dizer que tempo é cérebro. A cada minuto que passa, aumentam os riscos de lesões e sequelas irreversíveis. O reconhecimento dos sintomas e o atendimento em um centro preparado podem mudar completamente o futuro desse paciente”, afirma. Tipos Há dois tipos principais de AVC. O isquêmico ocorre quando um vaso é obstruído, interrompendo a chegada de sangue a uma região do cérebro. Já o hemorrágico é provocado pelo rompimento de um vaso, com sangramento. Ambos exigem atendimento de emergência, mas precisam de abordagens diferentes, definidas após avaliação médica e exames de imagem. Além das alterações na fala, da assimetria no rosto e da perda de força, os sintomas podem incluir mudanças repentinas na visão, vertigem, dificuldade para caminhar, perda de equilíbrio e dor de cabeça súbita e muito intensa. O desaparecimento dos sinais também merece atenção. De acordo com Almeida, manifestações passageiras podem indicar um ataque isquêmico transitório (AIT), associado à interrupção temporária do fluxo sanguíneo em uma região do cérebro. O episódio alerta para o risco de AVC e exige investigação imediata, mesmo que a pessoa se sinta bem após a melhora. A avaliação permite identificar a causa e orientar medidas para reduzir a possibilidade de um novo evento, como o controle dos fatores de risco e o uso de medicamentos, quando indicados. Tratamentos Os avanços no tratamento do AVC isquêmico ampliaram as possibilidades de recuperação. Entre as opções estão a trombólise, que utiliza medicamento para dissolver o coágulo, e a trombectomia mecânica, na qual ele é retirado por meio de cateteres. Esses procedimentos têm critérios específicos de indicação. A trombólise intravenosa com alteplase é geralmente realizada até quatro horas e meia após o início dos sintomas. Já a trombectomia, indicada em determinados casos de obstrução de grandes vasos, pode ser realizada em até 24 horas em pacientes selecionados, conforme os exames de imagem e a avaliação especializada. Esses prazos reforçam a necessidade de buscar socorro assim que os sinais aparecem. Quanto mais cedo ocorrer a avaliação, maiores as oportunidades de identificar e iniciar o tratamento adequado. A escolha depende, entre outros fatores, do tipo de AVC, da localização da lesão, do tempo de evolução e das condições clínicas do paciente. As consequências do AVC variam e podem afetar a fala, os movimentos, a capacidade de trabalhar e a autonomia para atividades cotidianas. A recuperação depende da gravidade da lesão, das características de cada caso e do acesso ao tratamento e à reabilitação. Após a fase inicial, o acompanhamento pode envolver fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional, além dos cuidados médicos. A frequência e a intensidade das atividades devem ser ajustadas às necessidades de cada pessoa. Almeida observa que o acesso à reabilitação é desigual. A disponibilidade dos serviços, a regularidade das sessões e as condições para a participação do paciente influenciam a continuidade do cuidado. O acompanhamento também deve incluir medidas para reduzir o risco de outro AVC. Riscos Hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade, sedentarismo e consumo excessivo de álcool estão entre os fatores associados ao AVC. Algumas alterações do ritmo cardíaco, como a fibrilação atrial, podem favorecer a formação de coágulos e também precisam de acompanhamento. Embora o risco aumente com a idade, a doença pode atingir pessoas jovens. O histórico familiar e a ocorrência de um episódio anterior devem ser considerados na avaliação médica. A prevenção inclui controlar a pressão arterial, acompanhar a glicemia e o colesterol, não fumar, adotar uma alimentação equilibrada, reduzir o excesso de sal e praticar atividade física conforme as condições de saúde. Seguir o tratamento prescrito e manter o acompanhamento são cuidados importantes mesmo na ausência de sintomas. “Não basta medir a pressão uma vez ou tomar o medicamento apenas quando aparece algum desconforto. O acompanhamento regular permite identificar riscos e ajustar os cuidados às necessidades de cada pessoa”, diz o neurologista.