(Imagem gerada por IA) Se por um lado pode haver a banalização do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade e o crescimento de autodiagnóstico, impulsionado principalmente pelas redes sociais, por outro, muitos adultos estão descobrindo tardiamente o TDAH. Segundo a psiquiatra Ana Paula Ruocco Nonato Matsumota, de Santos, algumas pessoas passam anos convivendo com dificuldade de concentração, desorganização, inquietação, impulsividade e sensação constante de sobrecarga sem compreender que esses sinais podem estar relacionados ao transtorno. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Ao mesmo tempo, esses sintomas também podem estar relacionados ao estresse, ansiedade, privação de sono e excesso de telas. Daí a importância de que o diagnóstico seja feito por um profissional capacitado, com base na história clínica e em critérios bem estabelecidos. E o aumento da informação contribuiu para ampliar o número de diagnósticos, especialmente entre mulheres e adultos, grupos historicamente subdiagnosticados. O tema ganha destaque na proximidade do Dia Mundial do TDAH, celebrado nesta segunda-feira, dia 13 de julho, data criada para conscientizar a população sobre a importância da informação, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado. Segundo estimativas do Ministério da Saúde, entre 5% e 8% da população mundial convivem com o transtorno, que tem origem neurobiológica e forte influência genética. Caracterizado por sintomas de desatenção, impulsividade e hiperatividade, o TDAH pode acompanhar a pessoa durante toda a vida, embora seus sinais se manifestem de formas diferentes na infância e na fase adulta. Para a psiquiatra Ana Paula Ruocco Nonato Matsumota, o aumento do número de diagnósticos reflete dois movimentos que acontecem simultaneamente. “Hoje há muito mais informação sobre o TDAH e isso permitiu identificar pessoas que passaram anos sofrendo sem entender o motivo. Por outro lado, também existe o risco de banalizar o diagnóstico”. Segundo a médica, o diagnóstico deve ser sempre clínico, realizado por um profissional capacitado e baseado em critérios bem estabelecidos. Esquecer um compromisso, perder o foco durante uma reunião ou procrastinar uma tarefa são situações comuns e fazem parte da vida de qualquer pessoa. A diferença está na frequência, na intensidade e, principalmente, no impacto desses sintomas sobre a rotina. “No TDAH, a dificuldade para manter a atenção, organizar tarefas, controlar impulsos ou administrar o tempo é persistente e causa prejuízos importantes na vida acadêmica, profissional ou pessoal. Não basta ser distraído; é preciso que isso gere sofrimento ou prejuízo funcional”, explica a especialista. Origem e estilo de vida Ela destaca que muitos adultos chegam ao consultório depois de anos convivendo com dificuldades sem compreender sua origem. Em muitos casos, a suspeita surge quando um filho recebe o diagnóstico e pais ou mães passam a reconhecer em si mesmos comportamentos semelhantes que os acompanham desde a infância. Outro aspecto que merece atenção é o estilo de vida atual. O uso intenso de celulares, redes sociais e vídeos curtos pode reduzir a capacidade de manter a atenção em atividades prolongadas e provocar sintomas parecidos com os do TDAH. “O excesso de telas, poucas horas de sono, sedentarismo, estresse crônico, ansiedade, uso excessivo de álcool ou outras substâncias prejudicam a concentração. Isso não significa que a pessoa tenha TDAH, mas esses fatores podem piorar os sintomas em qualquer pessoa e agravar ainda mais quem já possui o transtorno.” Desde a infância Embora muitas pessoas só descubram o transtorno na vida adulta, os critérios diagnósticos estabelecem que os sintomas devem estar presentes desde a infância, ainda que tenham passado despercebidos. Isso acontece porque algumas crianças conseguem compensar suas dificuldades graças ao bom desempenho intelectual, ao suporte familiar ou a estratégias desenvolvidas ao longo dos anos. Entre os sinais que merecem atenção estão dificuldade para manter a concentração, esquecer materiais escolares, perder objetos com frequência, inquietação excessiva, impulsividade, dificuldade para seguir regras e rendimento escolar abaixo do esperado. Na infância, o TDAH é diagnosticado com maior frequência em meninos, principalmente porque a hiperatividade costuma ser mais evidente. Nas mulheres, porém, predominam sintomas como desatenção, dificuldades de organização e sensação constante de sobrecarga mental, características que muitas vezes passam despercebidas por décadas. Não é raro que o diagnóstico só aconteça quando aumentam as responsabilidades, durante a faculdade, no trabalho ou após a maternidade.