[[legacy_image_234666]] Catarina Abdalla coleciona trabalhos marcantes ao longo da carreira, como Armação Ilimitada, Sítio do Picapau Amarelo (onde interpretou e mudou a cara da vilã Cuca) e mais recentemente o seriado Vai Que Cola, carro-chefe da programação de humor do Multishow que também pode ser conferido na telinha da TV Tribuna/ Globo - e que, em 2023, chega à 11ª temporada. Mas, como você verá na entrevista a seguir, trabalhar como atriz não era algo que passava pela cabeça de Catarina. No bate-papo, ela fala, entre outros assuntos, dos desafios que enfrentou e de como o nascimento da neta revolucionou a sua vida. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O Vai Que Cola completou dez anos em 2022. Como vê a evolução do programa?Eu não pensei que faria um trabalho assim na televisão, porque é quase ao vivo e a dinâmica intensa, única. Estar no programa acaba sendo uma maratona. A gente precisa ter muita disposição física, mental, espiritual. Cada temporada possui 40 episódios. Gravamos três por semana durante cerca de quatro meses - no início, levávamos seis meses. Quando as gravações terminam, eu fico meio estatelada por um tempo, parece que toda a minha energia e os meus neurônios ficaram no set. O Vai Que Cola se tornou o carro-chefe do Multishow. Ele ajudou a mudar a cara do canal, foi responsável por expandir a programação de humor, o que deu oportunidades para vários comediantes. Sabe, quando a gente está num trabalho, não tem a dimensão exata do tamanho dele, isso acontece com o tempo. O mesmo ocorreu há mais de 35 anos, quando fiz o Armação Ilimitada, na Globo, que foi um divisor de águas. Além de ser da alegria, o Vai Que Cola agrega e empodera várias diversidades. Ninguém ali tenta defender a perfeição em nada, cada um é lindo do jeito que é. A pandemia, inclusive, fez com que o programa tomasse força ainda maior. Em que sentido?Antes da covid-19, já recebíamos muitas mensagens de pessoas impossibilitadas de sair de casa ou de andar, com problemas de saúde, que agradeciam por fazê-las rir e esquecer um pouco das dificuldades que enfrentam. Me tornei até amiga de uma dessas pessoas. Com a pandemia, isso aumentou bastante. É algo que emociona. Acho que quem trabalha com comédia possui uma missão. No meu caso, apesar de não me considerar uma comediante, mas uma atriz que faz comédia, o humor me escolheu desde o primeiro dia em que eu coloquei o pé no palco. É curioso você dizer isso, pois o humor se faz superpresente na sua trajetória.Totalmente! Eu nunca sonhei em ser atriz. O máximo que imaginei foi me tornar chacrete (risos). Comecei a trabalhar muito nova, com 12 anos. Aí, quando completei 17, a minha mãe me emancipou. Sempre tive facilidade com Matemática, então trabalhava com contabilidade e faturamento em escritórios. Quem diria, né? Com 19 anos, já ganhava um salário legal e estudava à noite. E era aquele jovem que não se enquadra em lugar nenhum, que acha tudo chato. Resolvi participar da quadrilha da rua em que morava, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Eu fiz palhaçada durante a apresentação e me destaquei. Todo mundo ficou aplaudindo. A minha mãe falou que eu devia ser atriz, por causa da felicidade estampada no meu rosto. Para mim, ela tinha pirado, mas, na semana seguinte, me arranjou um trabalho de meio-período, para que pudesse estudar teatro na outra parte do dia. Lá fui eu para o Tablado. Como você se sentiu diante dessa reviravolta?A princípio, eu era um ser estranho na turma. Só que botei na cabeça que ia me dedicar ao drama e fazer as pessoas chorarem, porque achava a vida uma m... Eu era sofredora, dramática, trágica. Continuo um pouco assim (risos). A professora me escalou como protagonista de uma peça que ela havia escrito. Era um drama, mas, quando falei a primeira frase, a plateia caiu na gargalhada e, quanto mais eu falava, mais o público ria. Isso foi tão importante e libertador! Olha que loucura: ingressei no teatro em 1979, sem nunca ter ido a um espetáculo. Aquilo estava dentro de mim. Aí, em 1981, passei no teste para nova intérprete da Cuca, do Sítio do Picapau Amarelo, na Globo. Fiz o programa por quatro anos. Mudei a cara da personagem; ela deixou de ser tão má e ganhou tom mais de comédia. Nunca me enquadrei nos padrões, fui abrindo caminho por ser quem sou. Administrou numa boa a dualidade drama x comédia?Entendi que, quando você é um contador de histórias, há enredos que emocionam, que fazem sorrir etc. Por acaso, tenho contado histórias mais divertidas. Mas também me aventurei no drama em programas como Mulher e Caso Verdade, na Globo; a série A Divisão, do Globoplay, e o filme Quando o Galo Cantar pela Terceira Vez Renegarás Tua Mãe. Eu conto qualquer história. Há mais artistas na sua família?Eu fui a primeira. Depois, vieram meu primo e a minha filha, Alice Morena, que se casou com um ator. Acredito que a minha neta, que está com 7 anos, muito provavelmente vai enveredar pela arte. Tive uma vida dura, de luta, com vários percalços e momentos de falta de trabalho, tendo de exercer a maternidade solo. Quando a minha neta nasceu, entendi exatamente o meu papel na vida. Para mim, ser avó acabou sendo ainda mais impactante do que me tornar mãe. Fiquei emocionada agora... A minha filha, inclusive, participou do segundo filme do Vai Que Cola, e nós contracenamos juntas em duas peças.