A asma é uma doença crônica que exige acompanhamento e tratamento contínuos (Adobe Stock) Chiado no peito, falta de ar, aperto no tórax e tosse persistente são os principais sinais da doença, que afeta cerca de 20 milhões de brasileiros. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A asma é uma doença crônica que exige acompanhamento e tratamento contínuos. No entanto, ainda é subestimada por parte da população, o que contribui para o aumento das complicações, internações e mortes relacionadas à doença. Embora existam tratamentos eficazes para controlar os sintomas e proporcionar qualidade de vida, apenas uma pequena parcela dos pacientes mantém a doença totalmente controlada. O resultado é preocupante: a asma permanece entre as principais causas de hospitalização por doenças respiratórias no Sistema Único de Saúde (SUS), com cerca de 350 mil internações por ano. Leda Rabelo, pneumologista e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica que a asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas. Segundo ela, quando a pessoa entra em contato com gatilhos como poeira, poluição, fumaça, mudanças climáticas ou infecções respiratórias, ocorre uma inflamação dos brônquios, estruturas responsáveis por conduzir o ar até os pulmões. “Os músculos ao redor dessas vias se contraem, a parede interna incha e há aumento da produção de muco. Isso dificulta a passagem do ar e provoca sintomas como falta de ar, chiado no peito, tosse e sensação de aperto torácico”, explica. A doença pode se manifestar em diferentes níveis de gravidade, sendo classificada como leve, moderada ou grave. Um dos principais desafios no tratamento da asma é a falsa sensação de controle. Muitas pessoas acreditam que, por estarem sem sintomas entre uma crise e outra, a doença desapareceu. “A asma não é apenas um episódio isolado de falta de ar. Trata-se de uma inflamação que permanece presente mesmo quando o paciente se sente bem. Considerar que são apenas sinais leves pode ser perigoso, porque sintomas aparentemente discretos podem evoluir rapidamente para crises graves”, alerta a médica. A adesão ao tratamento é fundamental para evitar complicações. As diretrizes internacionais recomendam o uso de corticosteroides inalatórios como base do controle da doença, reduzindo a inflamação das vias aéreas. “O erro mais comum é utilizar apenas a medicação de resgate, que alivia a falta de ar momentaneamente, e abandonar o tratamento de manutenção. Sem controle adequado, a inflamação progride e aumenta o risco de hospitalizações, agravamento dos sintomas e até óbito”, afirma a especialista. Os avanços terapêuticos têm ampliado as possibilidades de controle da doença, especialmente nos casos moderados e graves. Uma das inovações é a terapia tripla em um único dispositivo inalatório, que reúne dois broncodilatadores e um corticosteroide. Segundo Leda Rabelo, a estratégia simplifica o tratamento e pode favorecer a adesão dos pacientes. “Ao reduzir a necessidade de utilizar diferentes bombinhas ao longo do dia, diminuímos erros de uso e facilitamos a rotina. Isso proporciona mais autonomia e qualidade de vida, permitindo que o paciente retome atividades físicas e sociais com mais segurança e menos medo de crises”. Com diagnóstico correto, acompanhamento médico e uso adequado das medicações, a maioria dos pacientes consegue levar uma vida ativa e saudável. Mitos e verdades Asma e bronquite são a mesma doença? Falso. A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas e requer acompanhamento contínuo. Já a bronquite pode ter diferentes causas, incluindo infecções respiratórias agudas. A bombinha vicia? Mito. Os medicamentos utilizados no tratamento da asma não causam dependência. O risco está justamente no uso inadequado da medicação de alívio sem o tratamento de manutenção. Os remédios para asma fazem mal para o coração? Mito. Quando prescritos corretamente, os corticosteroides inalatórios e broncodilatadores são considerados seguros. O tratamento adequado reduz riscos e melhora a qualidade de vida. Um raio-X normal descarta a doença? Falso. O diagnóstico da asma depende da avaliação clínica e de exames específicos, como a espirometria, que mede a função pulmonar. A ausência de sintomas não significa cura? Verdade. A inflamação das vias aéreas pode continuar presente mesmo quando o paciente está sem sintomas. Por isso, interromper a medicação por conta própria aumenta o risco de novas crises. O tratamento contínuo evita crises e internações? Verdade. O controle adequado da doença reduz significativamente o risco de agravamento, hospitalizações e complicações graves.