Mesas sem pontas que machuquem e tapetes presos sob os móveis são indicados na sala de estar (Mariana Camargo/Divulgação) Na hora de decorar, é preciso pensar em estruturas que garantam tranquilidade e autonomia para os idosos, considerando tanto as necessidades atuais quanto futuras – sempre eliminando riscos à integridade física. A famosa frase de Paulo Mendes da Rocha – “a arquitetura não é para ser vista, é para ser vivida” – ganha ainda mais força diante do aumento da expectativa de vida no Brasil. Segundo o Censo 2022, a população acima de 60 anos já corresponde a quase 16% do total no país – e, na nossa região, esse número é ainda maior: em média, 18%. Nesse cenário, estilo, segurança e funcionalidade deixaram de ser meros complementos. Tornaram-se uma necessidade social. Mais do que instalar barras de apoio, projetar para a longevidade significa planejar adaptações para o médio e longo prazo, sem esquecer soluções imediatas para moradores com restrições de mobilidade. Pequenas mudanças, muitas vezes discretas, podem transformar a casa em um espaço mais seguro e acolhedor tanto para o idoso quanto para toda a família. Mobiliário estratégico Nas salas de estar, sofás e poltronas devem ter assentos firmes, ergonomia adequada e altura suficiente para apoiar os pés no chão ao sentar. Esses detalhes facilitam o movimento de levantar-se e ajudam a manter a postura correta da coluna. Cooktops de indução evitam acidentes com fogo e pisos antiderrapantes sem tapetes são o melhor para a cozinha (SIDNEY DOLL/Divulgação) O dilema dos tapetes Não são vilões, mas exigem muita atenção. Grande parte dos acidentes com idosos acontece dentro de casa, segundo o Ministério da Saúde. Para evitar tropeços, tapetes devem ter pontas alinhadas com fita dupla face, base antiderrapante e materiais que não dobrem facilmente, além de ficarem presos sob os móveis. Porém, o melhor mesmo é evitar se houver idosos com problema de mobilidade. Circulação ampliada Portas largas facilitam a acessibilidade. Para entrada, salas e dormitórios, a medida mínima é 80 cm, sendo 90 cm o ideal. No banheiro, ainda que 60 cm seja permitido, padronizar com a mesma largura das demais portas garante conforto e independência. Cozinha segura Na cozinha, piso antiderrapante é essencial – porcelanatos polidos devem ser evitados. Já no fogão, os riscos de vazamentos ou queimaduras podem ser reduzidos com cooktops de indução, que só aquecem em contato com a panela. Corrimão com luz led embutida dá ainda mais segurança na escada (KELLY QUEIROZ/Divulgação) Corrimão obrigatório Mais do que um detalhe, o corrimão é indispensável em qualquer idade. Um exemplo vem do projeto da arquiteta Rosangela Pena: além da função de apoio, a peça recebeu iluminação em LED, facilitando a visão dos degraus à noite e agregando sofisticação ao ambiente. Para escadas, assim como nas cozinhas, pisos acetinados reduzem a chance de escorregões. Dormitório: refúgio Camas muito baixas ou altas demais, assim como colchões excessivamente moles, dificultam o ato de levantar e podem agravar dores crônicas. O ideal é encontrar um equilíbrio que favoreça o conforto e a praticidade. Barras de apoio e ausência de degraus e tapetes são recomendadas (KELLY QUEIROZ/Divulgação) Banheiro: epicentro É o ambiente que mais pede atenção. Além das barras de apoio, o piso precisa ter alto coeficiente de atrito para evitar escorregões em áreas molhadas. Cada detalhe conta para garantir segurança e autonomia.