Em sua quarta participação consecutiva na mostra, Gabriel transforma o ambiente em uma homenagem (MCA Estúdio/Divulgação) O arquiteto Gabriel Fernandes, de Praia Grande, apresenta um dos ambientes da CASACOR São Paulo 2026 inspirado no legado da arquiteta e designer Janete Costa, referência por incorporar a arte popular brasileira à arquitetura e ao design de interiores. Com 160 metros quadrados, a Casa Simonetto – Tributo à Janete Costa propõe uma reflexão sobre memória, identidade, tradição e o valor do trabalho artesanal, dialogando com o tema da mostra deste ano, Mente e Coração. A exposição segue até 9 de agosto, no Parque da Água Branca, na capital paulista. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em sua quarta participação consecutiva na mostra, Gabriel transforma o ambiente em uma homenagem à profissional que influenciou sua formação e sua maneira de enxergar a arquitetura. A proposta evidencia a riqueza do fazer manual brasileiro, resgatando referências do modernismo, da cultura popular e dos ofícios artesanais em uma composição marcada pelo equilíbrio entre monumentalidade, proporção e sensibilidade. “Como alguém que se considera aluno dessa escola, minha busca foi criar um espaço capaz de provocar a mesma emoção que senti ao entender a potência do território e do fazer manual como transformação na vida das pessoas”, afirma. O projeto é organizado a partir de um amplo living com pé-direito elevado, onde a lareira ocupa posição central e reforça a simetria da composição. Ao fundo, cozinha e sala de jantar completam o percurso do ambiente, seguindo uma leitura inspirada na arquitetura modernista. As grandes esquadrias ampliam a entrada de luz natural e destacam a relação entre volumes, materiais e perspectivas. (MCA Estúdio/Divulgação) Gavetas Entre os principais elementos está uma estante que ocupa toda a altura do espaço. Produzida em marcenaria planejada, ela recebe gavetas entalhadas pelo artesão mineiro Nellinho, de Tiradentes, inspiradas nas volutas do barroco brasileiro. As peças transformam o mobiliário em um elemento artístico, carregado de significado, simbolizando a preservação da memória, da tradição e do trabalho manual. A marcenaria, assinada pela Simonetto, apresenta como destaque a utilização da lâmina natural de pau-ferro, novidade lançada pela empresa neste ano. O acabamento em tom caramelo, aliado aos delicados chanfros aplicados em diferentes elementos, cria uma atmosfera acolhedora e sofisticada, valorizando a madeira e os desenhos autorais presentes em todo o ambiente. Outro aspecto importante do projeto é a iluminação, desenvolvida por Carlos Fortes, que cria diferentes camadas de luz para valorizar volumes, transparências e texturas naturais. A proposta reforça a sensação de aconchego e evidencia os detalhes da arquitetura e das peças de mobiliário. Materiais naturais Os materiais naturais aparecem em diversos pontos da composição. O tapete mistura fibras de palha e algodão, enquanto o tecido do sofá foi criado pelo próprio Gabriel Fernandes em parceria com o designer Renato Imbroisi, profissional que trabalhou durante anos ao lado de Janete Costa. A colaboração reforça a continuidade do legado da arquiteta e a valorização dos processos artesanais. A cor também desempenha papel importante na narrativa do ambiente. Inspirado no amarelo presente em obras de Oscar Niemeyer, observado por Gabriel durante uma hospedagem no Edifício Copan, o tom aparece de forma pontual, como fazia Janete Costa em seus projetos. Desenvolvida em parceria com a Coral, a tonalidade introduz um elemento de emoção e memória à composição. Arte A curadoria reúne peças de importantes nomes da arte e do design brasileiro. Entre elas estão poltronas em couro desenhadas por Janete Costa e Acácio Borsoi, pertencentes ao acervo da galerista Vilma Eid; uma mesa lateral em cerâmica dos irmãos Campana; móveis da coleção tubular de Geraldo de Barros; além de uma chaise de Le Corbusier, que estabelece um diálogo entre o design internacional e a produção brasileira. As obras de arte também assumem protagonismo. Um quadro de Tomie Ohtake e o painel Panneaux, de Roberto Burle Marx, ambos pertencentes ao acervo de Janete Costa e Acácio Borsoi, ajudam a construir a narrativa do ambiente, estabelecendo conexões entre diferentes momentos da arquitetura, da arte e da cultura brasileira. Cozinha privilegia a convivência Na cozinha, a integração entre mesa de jantar, eletrodomésticos e áreas de preparo privilegia a convivência e a funcionalidade, mantendo a unidade visual do projeto por meio da marcenaria e dos acabamentos naturais. Já a varanda presta homenagem ao paisagista Roberto Burle Marx. Assinado por Regina Peres, o paisagismo reúne bromélias, espécies preferidas do artista, além de vasos de diferentes formatos e texturas que reforçam o diálogo entre arquitetura e natureza. Serviço CASACOR São Paulo 2026 vai até 9 de agosto, de terça a domingo, das 11h às 22h, no Parque da Água Branca (Rua Dona Ana Pimentel, 40, Água Branca, São Paulo). Ingressos: de R\$ 70,50 a R\$ 161, pelo https://casacor.abril.com.br.