[[legacy_image_313037]] Mesmo que a voz seja um som muito potente, muitas pessoas vivem atualmente sem serem ouvidas. E qualquer pessoa que interaja com clientes, crianças e adolescentes, cônjuge... sabe quanto é importante mantê-los interessados em seus assuntos. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Nessa época de comemorações de final de ano, quando as pessoas se encontram mais, vale a pena evitar os elementos contidos numa fala que dificultam captar a atenção do outro como julgamentos, negatividade, reclamações, desculpas, exageros que facilitam mentiras e, por fim, dogmatismo. Em compensação, colocar honestidade, autenticidade, integridade e afeto nas palavras tornará sua mensagem bem mais interessante. Atenção E como falar de forma que as pessoas não se distraiam com outras coisas? Em suas atividades rotineiras, você está sempre falando mas tem a sensação de que ninguém ouve? A psicóloga e psicopedagoga Elizabeth Monteiro, com seis livros publicados na área de família, dá quatro conselhos iniciais para tornar a comunicação mais eficiente: 1. O primeiro quesito é escolher o momento certo. “Especialmente se pensarmos na rotina de uma casa. Eu sempre digo que as pessoas não devem falar quando estão nervosas, porque não vão se ouvir e nem saber direito o que estão dizendo.” 2. O segundo quesito é escolher o tema. “Você não vai falar de um assunto sério no meio de uma festa e nem quando a pessoa não está preparada, motivada a ouvir aquilo.” 3. Também é preciso saber esperar o momento adequado para conversar sobre cada tema, e de forma atrativa. “Se é para falar bobagens, pode ser enquanto jantam ou assistem a uma série de TV. Mas se o assunto for delicado ou difícil, e o seu interlocutor estiver com a cabeça em outra coisa, melhor aguardar.” 4. E mais: conversar olho no olho. “Se preciso for, diante de uma pessoa agitada, toque no braço dela ou no ombro, pois ajuda na concentração. A gente percebe quando o interlocutor está disperso porque seu olho desfoca. Ele também não faz perguntas, não interage com você, não para o que está fazendo a fim de olhar para o seu rosto.” Sem repetições e monotonia Muitas vezes a pessoa é menos ouvida se fica repetindo as mesmas coisas (por exemplo, “vai tomar banho, mas não deixa a toalha sobre a cama”). “Convém se observar se você tem diariamente as mesmas falas, porque quando o estímulo é muito repetido (e mães têm essa mania), o outro deleta”, avisa a psicóloga, acrescentando que o cérebro tem um mecanismo, chamado “Lei do tudo ou nada”. Para explicar, imagine que mora próximo a uma rota de avião. No começo, você escuta. Depois, acostuma com o barulho e deixa de percebê-lo. Além disso, não são todas as pessoas que sabem ouvir. Segundo Elizabeth, a gente aprende muito mais a falar do que o contrário. E várias não conseguem ouvir por não saberem se relacionar, serem ansiosas ou terem déficit de atenção, hiperatividade ou outro transtorno mental que dificulte se concentrar no outro. E se estão diante de alguém que não dá espaço para o outro falar, a comunicação fica bem prejudicada. Há ainda aquelas que se julgam donas da verdade, narcisistas, que só conseguem prestar atenção nelas próprias. “Sem contar um outro grupo, que simplesmente não quer ouvir aquilo que não combina exatamente com o que deseja. Como não tem proposta de mudança, quer só desabafar, fazer o seu ouvido de penico. E se você não topa, acaba até uma amizade”, analisa a expert. Diante de alguém assim, vale perguntar: você quer saber o que eu penso? Posso fala o que eu percebo? Por fim, quando um consegue se colocar no lugar do outro, exercitando a empatia, qualquer conversa flui bem melhor. E se o emissor coloca emoção e modula a voz para que seja agradável, consegue uma façanha, que é não deixar o outro com sono, efeito bem comum nos dias de hoje, quando a vida da grande maioria das pessoas está acelerada.