Dona de uma belíssima voz e um dos nomes mais importantes da música brasileira na década de 1970, a cantora Sonia Santos celebra mais de seis décadas de sucesso do jeito que gosta: nos palcos e ao lado do público. Aos 82 anos, ela prepara as malas nos Estados Unidos, onde mora há mais de 30 anos, e vem ao Brasil para o show Samba Mandou Me Chamar, com apresentações confirmadas para São Paulo, nos dias 7 e 8 de maio, no Sesc 14 Bis. No repertório, estarão músicas compostas especialmente para Sonia por Tim Maia (Somos América), Jorge Ben Jor (Pátria Amada) e Luiz Melodia (Gerações), além de clássicos do samba como Upa, Neguinho, A Lavadeira e Brasileirinho, entre outras. Em entrevista ao domingo+, a cantora nascida no Rio de Janeiro fala sobre a trajetória musical no Brasil e nos EUA, as referências artísticas e os jovens talentos que a cativam. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Em mais de seis décadas de carreira, como manter a alegria ao cantar? Buscando sempre equilíbrio entre o corpo e a alma. Tratando aos outros como gosto de ser tratada, com gentileza, calma e alegria. Muita música no dia a dia e comida saudável, é claro. Como a música entrou em sua vida? Meu pai e minha mãe eram fanáticos por música, mas não queriam me ver trabalhando como cantora. Porém, com tanta influência do gosto deles, e vivendo em Ramos, bairro do Rio de Janeiro marcado por Paulo Moura, Baden Powel, Cacique de Ramos, Imperatriz Leopoldinense, não resisti. Sou uma cantora honrada e feliz. Quais suas referências ao iniciar a carreira musical? E depois de trilhar carreira nos palcos, quais artistas mais te impressionaram? Falando primeiramente sobre as influências nacionais, cito Elis Regina, Paulinho da Viola, Gilberto Gil, Clara Nunes, Tim Maia, Djavan e Nana Caymi, entre tantos outros nomes. Agora, indo para os nomes da música internacional que mais destaco, não há como deixar de falar de Diana Ross, Dionne Warwick, Little Richard, Elvis Presley, Frank Sinatra, Tony Bennet, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e Nat King Cole. Agora, como colegas, destaco Beth Carvalho, Gonzaguinha, Zeca Pagodinho, Tim Maia, Gil, Luiz Melodia, Paulinho da Viola e a elegância de Dona Ivone Lara. Na década de 1970, sua música Porque foi trilha da novela O Rebu, da TV Globo, e suas apresentações no Fantástico marcaram época. Como foi a repercussão? Sobre a novela, foi uma boa repercussão, ainda mais com a assinatura de Paulo Coelho e Raul Seixas nela. Quanto ao Fantástico, com as apresentações que gravei, senti fortemente a responsabilidade de estar sendo vista e reconhecida como uma artista de verdade! Por que a senhora tomou a decisão de ir para os Estados Unidos na década de 1990? Eu não me arrependo de ter fixado residência nos Estados Unidos, pois com a força da música do Brasil nos EUA nessa época, me ofereceram oportunidades irrecusáveis. E como o artista tem que ir aonde o povo está, ao receber o convite, atendi e aproveitei a chance de mostrar mais a MPB, que do meu jeito foi rotulada como afro-brazilian jazz. No ano passado, a senhora foi tema de um episódio da série Os Ímpares. Ao ver sua trajetória, sente que tudo valeu a pena? Sim, claro. É muito bom olhar para trás e “dizer aos próprios botões” que fiz tudo que pude da melhor maneira possível. Então, valeu! Como que, aos 82 anos, a vontade de subir ao palco segue intacta e já se prepara para o novo show Samba Mandou Me Chamar? Aos 82 anos de idade, sinto que enquanto houver chance de contagiar aos que me ouvem com amor, esperança e alegria, é isso que tenho que cantar. Boas palavras. O mundo está carente de boas palavras. Nada melhor que dizer isto, cantando e sorrindo. O que mais podemos esperar de Sonia Santos na cena musical? Estou encantada com o entusiasmo dos produtores que acreditam em meu trabalho e entendem que sou capaz de dar conta do recado no novo show. Vamos ver se este entusiasmo viraliza e a partir dos primeiros shows em São Paulo, a aprovação e os aplausos nos avalizarão ainda mais, bem mais! Em 2000, a senhora fez um show que serviu de abertura para uma apresentação de Ray Charles no Syracuse Jazz Fest. Como foi esse dia? Lembro que os camarins eram todos lado a lado. Como o show dele foi o último da noite, foi mágico vê-lo ali tão pertinho, no palco, diante de 45 mil pessoas. Em casa, como é a Sonia Santos longe dos palcos? Nos dias de folga, cozinho receitas saudáveis, medito, vou ao refúgio espiritual, marco encontros com bons amigos, ouço música, provoco encontros musicais e faço exercícios físicos. De que forma a senhora vê a música brasileira atualmente? Há virtudes em jovens talentos? Claro que há virtudes nos jovens, pois o tempo não para! Gosto do João Gomes, da Iza, da Ana Castela e também continuo gostando muito de outros que não são mais tão jovens, mas seguem maravilhosos no palco, como Ivete Salgalo, Péricles, Tereza Cristina etc. Qual conselho a senhora dá a quem sonha em dar hoje os primeiros passos na música? Fidelidade a si e ao seu estilo, com persistência e honestidade em tudo. Muita fé e um coração cheio de esperança no bem!.