“Nunca tive pressa de crescer, acho que sempre soube aproveitar bem cada etapa", diz Giovanna (Higor Bastos/ Divulgação) Aos 28 anos, Giovanna Grigio vive uma fase especialmente movimentada da carreira. Protagonista de Trago Seu Amor, lançado nos cinemas em junho e recentemente disponibilizado no Globoplay, ela ainda tem pela frente outros dois trabalhos como protagonista: a série Os 12 Signos de Valentina, da Netflix, atualmente em pós-produção, e o filme Encontrada, sequência de Perdida, da Disney. Na televisão, está de volta às novelas da TV Globo em Por Você, como Leandra, médica residente. Desde o remake de Chiquititas e, depois, Malhação, o público acompanha o crescimento da atriz, que também ganhou projeção internacional com Rebelde, produção mexicana da Netflix. Depois de experimentar personagens e gêneros diferentes, incluindo trabalhos mais densos como O Maníaco do Parque, Giovanna diz se sentir mais madura, experiente e corajosa para novos desafios. Você começou muito jovem e o público acompanhou seu crescimento. Em algum momento sentiu necessidade de se afastar da imagem da “menina atriz” para construir a mulher e a profissional que queria ser? Acho que esse foi um movimento que aconteceu naturalmente, sinto que o meu amadurecimento profissional sempre andou junto com o meu pessoal. Quando fui crescendo e ficando mais velha, fui me interessando por coisas diferentes como espectadora e como artista, e tive muita sorte em ter oportunidades que sempre me desafiassem no meu caminho. Nunca tive pressa de crescer, acho que sempre soube aproveitar bem cada etapa da vida. Hoje você vive uma fase muito movimentada. Você sente que está entrando em uma nova etapa da carreira? Com certeza, me sinto em um momento próspero, vivendo uma fase de muitos projetos e em contato com personagens que eu me diverti muito fazendo. Acabei de lançar Trago Seu Amor, estou com Por Você no ar e ainda tenho Os 12 Signos de Valentina e Encontrada para lançar, então, tem sido muito especial olhar para esse momento e perceber a quantidade de histórias diferentes que tenho a oportunidade de contar. Também me sinto em uma fase mais madura como atriz. Nesses últimos anos, tive a oportunidade de me experimentar de várias maneiras e aprender muito. Essa profissão me levou a lugares que eu nunca imaginei que chegaria, e aproveito muito quando estou em um projeto. Hoje me sinto uma atriz mais experiente, mais corajosa e cada vez mais pronta para desafios ainda maiores. Em Por Você, sua missão é interpretar Leandra, uma médica residente, e contracena com nomes como Alinne Moraes, Thiago Lacerda e Renata Sorrah. O que ainda te dá frio na barriga no set e o que você aprendeu observando esses atores? Tudo dá frio na barriga, todo dia tem cena nova com eles e eu nunca me acostumo! Depois de alguns meses de trabalho, hoje já conquistamos mais intimidade, então sinto que eu estou conseguindo aproveitar demais essa parceria, que é um privilégio. Os três são muito generosos, e estão sempre trocando comigo. Aprendo muito. Acho que uma coisa que aprendi na convivência com Renata, Thiago e Alinne é que a diversão não para e o legal é jogar junto. Essa não é uma arte que se faz sozinha e poder brincar com os maiores da profissão é um aprendizado diário. Rebelde levou seu trabalho para um público internacional enorme. Como foi perceber que uma personagem sua tinha conquistado espectadores em tantos países? Foi muito legal poder entrar em contato também com o público de outros países por meio de uma obra tão amada como Rebelde. Trabalhar no México me fez enxergar um monte de coisas que temos de similaridades e diferenças com nossos vizinhos latinos, e me fez entender também que o trabalho de ator é essencialmente humano. Mesmo com diferenças culturais, a troca acontece e isso me fez ver o mundo com muito mais possibilidades do que eu via antes. Ampliou meu olhar. Você tem escolhido personagens bastante diferentes entre si, passando por produções mais leves e também por trabalhos mais densos, como O Maníaco do Parque. Há um personagem que você sonha interpretar? Estar em cena com a Alinne diariamente me faz querer demais fazer uma vilã! Sempre quis, mas agora mais do que antes, é lindo vê-la em cena, trabalhando! Tenho vontade de estar em alguma biografia, em filme de terror, em musical… (risos) Eu tenho muitas vontades e sonhos e espero poder realizá-los, acho que a maior graça dessa profissão são as coisas novas que a gente aprende, tudo que a gente poderia ser se a gente não fosse a gente! Brincar de ser gente é a minha praia. Além da atuação, você se expressa por meio da moda, das artes plásticas e das redes sociais. O que essas outras linguagens permitem que você mostre de si que talvez não apareça quando está interpretando uma personagem? Acho que bastante coisa, de alguma maneira, porque as minhas artes e a maneira como eu me visto são a minha maneira de me expressar na vida. As personagens são como fantasias que vestimos e tiramos no fim do dia, mas a moda na vida é uma maneira silenciosa das pessoas se comunicarem, e eu gosto disso. É uma maneira de mostrar quem sou, sem levar o que não quero, e também de brincar com a minha expressão. É também por isso que gosto de desenhar. Você tem milhões de seguidores nas redes sociais e uma relação espontânea com esse público. Como equilibrar essa exposição com a vontade de preservar uma vida que não pertence às redes? Existe algo que você decidiu que não quer transformar em conteúdo? Existem muitas coisas que não viram conteúdo, muito pouco vira na verdade. Sou uma pessoa extrovertida, mas reservada, sempre fui assim. Gosto das redes sociais, gosto de usá-las para trocar com o público, principalmente, e ele me conhece há tanto tempo que a espontaneidade acontece fácil. Mas não acho um desafio equilibrar isso, sempre respeitei meus limites, isso nunca foi difícil para mim. Você já falou sobre o desejo de escrever, dirigir e criar projetos autorais com protagonismo feminino. Que histórias estão na sua cabeça hoje? Tenho algumas histórias que estão latentes em mim, mas que enquanto projetos ainda estão em estado embrionário, começando a se formar. O processo criativo é um desafio por si só e tornar as coisas realidade é ainda mais difícil, mas tem sido legal olhar para mim mesma como criadora e me permitir descobrir o que existe em mim além da atriz. Aos 28 anos, você já construiu uma carreira muito extensa e passou por televisão, cinema e uma produção internacional. Existe alguma pressão por estar sempre avançando, aproveitando oportunidades e correspondendo às expectativas? Expectativas existem sempre, a maneira como a gente lida com elas é que é importante – as dos outros e as nossas, né? Eu respiro essa arte a minha vida toda e estou andando sempre para frente, com calma, construindo uma carreira que eu acredito com paciência. No futuro quero olhar para trás e me orgulhar das escolhas que eu fiz. Então tento me tratar com carinho, sem pressa, aproveitando cada passo dessa jornada. Nem sempre é fácil. Mas, tenho o plano de viver muitos anos nessa vida, um tempo suficiente para conquistar tudo que quero. Durante toda minha carreira pude sentir que tudo acontece no tempo que tem que acontecer e eu acredito fielmente nisso. Se pudesse conversar com a Giovanna que começou em Chiquititas, sem imaginar tudo o que viria pela frente, o que você diria para ela? Acho que estou onde eu queria e devia estar nesse momento e me faltam inúmeras coisas para realizar, vou ser assim para sempre. Sou sonhadora e ambiciosa, então sempre vou querer alguma coisa. Mas se eu pudesse dar um conselho a mim mesma nessa época, diria para acreditar de verdade no meu brilho. Eu sempre fui dedicada, mas muito autocrítica. Se eu pudesse, seria mais gentil comigo mesma.