Mavi Brilhante representará a juventude brasileira em fórum da ONU e defende mais espaço para crianças e adolescentes nas decisões sobre o futuro do planeta (Divulgação) Aos 13 anos, a paraibana Mavi Brilhante (Maria Vitória Brilhante) já se tornou uma das principais vozes da juventude brasileira na defesa do meio ambiente e da participação dos jovens nas decisões sobre o futuro do planeta. Embaixadora do Instituto Limpa Brasil, ela mobiliza crianças e adolescentes em ações de educação ambiental, mutirões de limpeza e conscientização sobre sustentabilidade, sempre defendendo que as novas gerações tenham espaço nos fóruns onde são discutidas as políticas climáticas. Na próxima semana, dará mais um passo nessa trajetória ao integrar a delegação brasileira no Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável (High-Level Political Forum – HLPF), promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, principal espaço da organização para o acompanhamento da Agenda 2030 e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Em entrevista a A Tribuna, Mavi fala sobre como nasceu seu ativismo, a importância do protagonismo juvenil e por que acredita que nunca é cedo demais para fazer a diferença. Mavi, hoje você tem 13 anos, mas com que idade lembra de ter começado esse interesse pelas questões de sustentabilidade e de cuidado com o planeta? Bem, comecei mesmo a agir com 10 anos, mas acho que quando eu tinha por volta de uns 5, 6 anos já gostava de cuidar do meio ambiente. E você lembra se aconteceu algo importante que serviu como uma espécie de click para esse despertar? Sim, quando eu tinha 10 anos, estava na Avenida Paulista, em São Paulo, e vi um mutirão de limpeza acontecendo. Achei aquilo muito legal porque nunca tinha visto nada igual: um monte de gente limpando a rua. Então, procurei saber mais sobre isso e fui participando de algumas ações. Nesse tempo, eu também fui aprendendo mais a cuidar do planeta. Percebi que os jovens são os mais afetados com tudo que acontece no nosso planeta, porque a gente vai estar aqui daqui a alguns anos e não tinha espaços de fala dentro de mesas e lugares onde estão sendo debatidos temas ligados ao nosso futuro. Achei aquilo muito injusto, porque, se é o nosso futuro, a gente também tem que estar presente. E como começou essa sua articulação para um maior envolvimento dos jovens nas questões do planeta? Depois de eu ter visto essa ação na Avenida Paulista, o pessoal da organização, que foi o Instituto Limpa Brasil, me convidou para participar de um mutirão de limpeza em Recife, que é perto daqui, em Pernambuco, na comunidade do Bode. E eu fui, e foi meu primeiro mutirão, minha primeira ação de limpeza, e foi muito legal porque me deu um estalo: era aquilo que eu queria fazer. Você sente que o fato de ser tão jovem acaba inspirando os teus colegas de classe? Você já conseguiu trazer para esse movimento de conscientização outros jovens, amigos, colegas de classe? Sim, acho que no começo era tudo muito novo para mim, então a minha ficha ainda não tinha caído que eu influenciava tantas pessoas. Mas, quando participei da 1ª Conferência Nacional dos ODS, vi quantas pessoas eu influencio e quantas pessoas acreditam no meu trabalho. Isso é muito importante para mim. Tenho uma fala em que reforço que minha maior inspiração para estar lutando onde estou lutando é pelos jovens, não é só por mim, e sim pelos jovens e pelas futuras gerações que vêm por aí. Quando você pensa em futuro, qual é a tua principal preocupação ou quais são as suas principais preocupações? Acho que minha principal preocupação é que o pessoal que menos afetou o meio ambiente é o que está mais sofrendo com isso. Então, os países mais ricos, daqui a 10 ou 15 anos, mesmo poluindo muito, de certa forma ainda vão estar estabilizados, mesmo que o planeta esteja numa situação bem ruim. Mas outros países que estão em situação de vulnerabilidade vão sofrer mil vezes mais. Isso é o que mais me preocupa. Se você pudesse estar com quem decide, com quem pode fazer alguma coisa, o que diria sobre a principal prioridade para se fazer agora? Se eu tivesse essa oportunidade, diria para todos seguirem o Acordo de Paris, porque já é algo muito, muito bem feito; o que falta é a execução. Seria bom se pudéssemos juntar os países e começar a executar esse plano. Ia ajudar muito o nosso planeta. E também seguir a Agenda 2030, cumprir as metas que estão ali. A jovem Greta Thunberg e seu ativismo pelo mundo foram inspiração para você? De certa forma, ela é uma inspiração para mim, ainda mais no começo. Mas, como todo mundo tem opiniões diferentes, tem algumas ações dela com as quais eu não concordo. Acho que a gente tem que lutar para estar dentro dessas mesas, mas, às vezes, acho alguns posicionamentos dela muito radicais. De qualquer forma, ela é, sim, uma grande inspiração. O que você pretende apresentar nesse encontro da semana que vem nos Estados Unidos? Na minha participação, estou indo como a representante jovem do Sul Global. Então, irei representar os jovens. Vou participar de duas mesas, uma pelo Brasil e outra com Suíça e Alemanha. Lá, vou falar sobre o que o Brasil está fazendo no Relatório Nacional Voluntário, o famoso RNV, mostrar o que está sendo feito pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). E o que o Brasil está fazendo pelos ODSs? O Brasil tem alguns ODSs em foco, como o ODS 2, da fome zero. Temos um projeto para diminuir a fome no Brasil, como o Plano Plurianual, voltado à agricultura familiar e com o objetivo de garantir segurança alimentar a quem não tem acesso tão fácil aos alimentos. Outro ODS de destaque no Brasil é o 18, de igualdade étnico-racial, e o ODS 5, de igualdade de gênero. Será um grande desafio estar lá falando em nome do Brasil, não? Muito, e sei que vou ficar nervosa, ainda mais porque estarei falando para muita gente. E quando você vê a minha trajetória,....eu era uma criança que só queria ajudar o meio ambiente...e cheguei onde cheguei. Fico emocionada. Se você pudesse dar um recado para todos os jovens brasileiros, pensando nisso que você falou logo no início, de maior espaço para os jovens, qual seria o recado? O recado que eu daria é que ninguém é pequeno demais para fazer a diferença, e idade nunca deve ser uma barreira para a gente poder lutar. Então, você não precisa ter um cargo importante ou muita idade para querer agir. Nós, jovens, temos essa esperança de poder mudar as coisas e, quando nos juntamos, damos as mãos para lutar pelo que a gente pode fazer pelo planeta. É um sonho muito bonito.