A tradicional canja segue sendo uma boa pedida: nutritiva e de fácil digestão, traz sensação de conforto (AdobeStock) Mesmo depois de passar os sintomas, é preciso cuidar da dieta, optando por alimentos que não sensibilizem mais o corpo e ajudem que ele se fortaleça No verão, aumentam os casos de viroses, principalmente gastrointestinais, e nesta temporada o número de atendimentos foi ainda mais elevado. Além do calor levar a uma maior circulação de pessoas, a superlotação das praias contribui para a proliferação de vírus transmitidos pela água. As altas temperaturas favorecem a contaminação, assim como a decomposição de alimentos perecíveis. Segundo a nutricionista funcional Tatiana Pimentel, após uma virose gastrointestinal, o corpo passa por um processo intenso de recuperação. Diarreia e vômito típicos dessa condição afetam a hidratação, a absorção de nutrientes e a saúde da microbiota intestinal — conjunto de microrganismos essenciais ao equilíbrio. “A alimentação adequada no período de convalescença é fundamental para acelerar o restabelecimento e fortalecer a imunidade”. A nutricionista relacionou ao domingo+ alguns alimentos que devem ser priorizados no pós-virose para cuidar da microbiota intestinal. Hidratação é a base, portanto, a reposição de líquidos é prioridade inicial para prevenir a desidratação. Além de água filtrada ou mineral, aposte em água de coco, que é rica em eletrólitos, como potássio e sódio, essenciais para reequilibrar o corpo; chás leves, como camomila ou erva-doce, que ajudam na digestão e têm efeito calmante para o estômago, e soro caseiro, uma solução simples e eficaz para repor minerais. Fácil digestão No período de recuperação, o ideal é priorizar alimentos de fácil digestão, como arroz branco, que é fonte de energia e não sobrecarrega o sistema digestivo, batata e mandioquinha, ricas em carboidratos complexos e que ajudam a restaurar energia sem irritar o trato intestinal, além de sopa de legumes e a boa e velha canja de galinha, nutritivas e de fácil digestão. Legumes, como cenoura, abobrinha e chuchu, são ricos em minerais como potássio, magnésio e sódio, e essenciais para recuperar o equilíbrio hidroeletrolítico. Já as fibras solúveis da cenoura e abobrinha auxiliam na recuperação do trato intestinal, promovendo o equilíbrio da microbiota sem irritar o intestino. O frango é uma fonte de proteína de fácil digestão, que auxilia na reparação dos tecidos e na regeneração da mucosa intestinal. A canja de galinha, por exemplo, além dos benefícios nutricionais, traz sensação de conforto e ajuda a estabilizar o apetite de forma suave. “Após uma virose, a microbiota intestinal precisa ser reequilibrada. Por isso, inclua suplementos com probióticos ou alimentos que contenham probióticos”, ressalta a nutricionista Tatiana Pimentel. Mudança aos poucos Quando os sintomas de diarreia cessarem, vale introduzir gradualmente fibras solúveis, que alimentem as bactérias boas do intestino e ajudem na formação de fezes mais consistentes. “Entre eles estão a aveia, fonte de beta-glucana, uma fibra que promove o crescimento de bactérias benéficas”. A nutricionista ainda cita como exemplo a maçã cozida, que é rica em pectina e contribui para o equilíbrio intestinal. “Cenoura, além de leve, possui fibras que regulam o trânsito intestinal”. A profissional destaca fontes de zinco e glutamina, que são nutrientes importantes para a regeneração da mucosa intestinal. Frango e peixe são ricos em proteínas e zinco, essenciais para a recuperação do tecido intestinal. Já o caldo de ossos concentra glutamina, aminoácido que auxilia na reparação do revestimento intestinal. O que evitar Para Tatiana Pimentel, o ideal é evitar alimentos irritantes, ou seja, que possam inflamar o trato gastrointestinal. Entre eles estão os ultraprocessados, gordurosos, frituras e o excesso de lácteos. “Açúcares refinados, que desequilibram a microbiota também são contraindicados, assim como bebidas alcoólicas e café, que podem aumentar a desidratação. Leguminosas, como feijão, devem ser introduzidas gradualmente quando o intestino estiver mais estabilizado, pois podem causar gases e desconforto. Vegetais crus e ricos em fibras insolúveis como couve, brócolis e repolho também devem ser evitados nesse período”. Cuidar da alimentação após uma virose gastrointestinal é essencial para acelerar a recuperação e fortalecer o organismo, sempre respeitando o ritmo do corpo para promover o bem-estar a longo prazo.