Alexandre Borges está de volta ao horário nobre da TV brasileira (Manoella Mello/Globo) Alexandre Borges está de volta ao horário nobre da TV brasileira. Em Quem Ama Cuida, nova trama das nove, o ator interpreta Ulisses, um homem marcado por conflitos emocionais, compulsão por jogos e dilemas que dialogam diretamente com questões contemporâneas. O retorno acontece em um projeto que reúne alguns dos principais nomes da dramaturgia nacional e um elenco de diferentes gerações. Na conversa, ele fala sobre o entusiasmo em trabalhar pela primeira vez com Walcyr Carrasco, destaca o processo de construção de um personagem que considera um dos mais complexos da carreira recente e comenta a importância de novelas que provocam reflexão sobre valores, relações familiares e o papel do amor nas escolhas do dia a dia. O ator também relembra a emoção de contracenar com referências como Tony Ramos e Antônio Fagundes, nomes que marcaram sua formação como artista e telespectador. Fora dos estúdios, compartilha lembranças de Santos, onde nasceu, viveu a infância e para onde pretende retornar após o fim das gravações. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Depois de dois anos longe das novelas, como foi receber o convite para voltar justamente em um “novelão” das nove como Quem Ama Cuida? Eu fiquei muito contente com esse convite, um convite conjunto da Amora (Mautner), Walcyr (Carrasco), Cláudia Souto, para essa novela. É uma honra imensa estar nesse projeto, com criadores tão incríveis que eu admiro. É minha primeira novela do Walcyr com a Cláudia. É um trabalho que faço com a Amora já há um bom tempo, que também é uma diretora que admiro muito, que sempre coloca os atores em pontos não confortáveis, surpreendentes, buscando novos caminhos. Então está sendo muito enriquecedor para mim como ator e tenho muito, muito orgulho dessa novela. Seu personagem, Ulisses, parece movido por ambição e ressentimento. O que você enxergou de mais interessante ou desafiador nele? Bom, cada personagem realmente é diferente um do outro, criadores diferentes, e Ulisses vem numa galeria muito especial, que é uma galeria de um personagem mais dramático, dialogando com a sociedade atual, contemporânea. Um homem em crise, um homem emocionalmente frágil, um homem que busca uma estabilidade emocional para a família, mas que também tem um vício, uma coisa tão atual: uma compulsão por jogo, uma afirmação, um vazio que eu acho que a nossa sociedade também está vivendo em termos de ideais, em termos de moral, ética. É um momento importante para tocar nesse assunto. Acho que o papel da arte, do artista, seja onde for, numa novela, no teatro ou no cinema, é atualizar a sociedade, colocar em discussão valores. E acho o título da novela muito significativo, porque o amor é realmente uma coisa que tem que se mostrar muito concretamente, através dos seus atos, das suas atitudes, com a sua família, com a sociedade, com as pessoas e com você também, o amor-próprio. A gente sempre espera e sempre busca a evolução. Estamos aqui para isso, para evoluir. E acho que personagens assim trazem reflexão. Então, para mim, Ulisses é um personagem especial, muito complexo, bem escrito e que está sendo um desafio maravilhoso fazê-lo. A novela reúne um elenco muito forte, com nomes de diferentes gerações. Como tem sido esse reencontro com colegas veteranos e também a troca com atores mais jovens? É muito lindo reencontrar grandes atores, ícones, pessoas que admiro desde a minha adolescência, desde a minha infância, como Tony Ramos e Antônio Fagundes, dois atores que são referências para mim. O Fagundes, na minha adolescência, no Carga Pesada, foi um dos meus heróis na época. O jeito, o ser brasileiro da estrada, mostrando o Brasil. Foi um personagem muito icônico para mim, que eu imitava, que me fazia querer ser caminhoneiro também. E o Tony Ramos, desde muito cedo também. Um papel inesquecível dele na minha adolescência é o de Riobaldo em Grande Sertão: Veredas, um trabalho que me fez entender o quanto você consegue fazer uma obra de arte na televisão tendo criatividade, bons atores e um clássico da nossa literatura. Até então, para mim, como telespectador, era algo inédito em formato, profundidade e na forma como subvertia os postos de galãs, como Tony e Tarcísio Meira, em personagens muito mais profundos e complexos, além da beleza da obra de João Guimarães Rosa. Então é realmente uma alegria. Todo o elenco está muito feliz, muito comovido com o encontro dos dois nessa novela. E todos os colegas também. Estou fazendo televisão na Globo há praticamente 33 anos. Já trabalhei com muitas pessoas, amigos queridos, e é muito bonito ver essa renovação, essa entrega de todos, essa coesão no elenco. Porque, no fundo, é isso: é uma obra inédita para todos, independentemente do tempo de carreira. Então todos estão se entregando. É muito bonito ver isso. Nos últimos anos, você esteve bastante presente em Santos. De que forma esse período na cidade mexeu com você pessoalmente? Bom, Santos é minha terra, minha origem, e eu tenho muito amor pela minha cidade. Passei uma infância maravilhosa em Santos, sou um caiçara. Nos últimos tempos, me fixei em Santos, um pouco antes da pandemia. Fui morar com a minha mãe, Rosa (Linda Maria Borges). Meu pai, Tanah (Correa), também estava morando em Santos nessa época. Então, foi um momento difícil, até pela doença da minha mãe, que teve Alzheimer, e todo o cuidado que houve nesse momento tão delicado da vida de uma pessoa, em que os pais envelhecem e estão no último ato da vida. Poder acompanhar isso de perto foi um privilégio que Deus me deu. Durante a pandemia, que passamos em Santos, as pessoas também me apoiaram muito, meus conterrâneos sempre vindo com uma palavra de carinho, de conforto. Conhecidos da minha mãe, conhecidos do meu pai vinham falar com a gente. Foi muito importante esse período, e eu me senti muito apoiado em Santos, recebendo muito amor e carinho. Então sou eternamente grato a todos, agradeço muito. E é isso: acabou a novela, voltarei para Santos.