[[legacy_image_356083]] Relutei muito em assistir ao longa metragem A Batalha do Biscoito Pop-Tart, dirigido pelo mítico Jerry Seinfeld para a Netflix, que estreou de forma modesta há poucos dias e vem sendo impiedosamente massacrado pela crítica. Mas assisti e posso garantir: o erro está na perspectiva de quem viu o filme esperando uma comédia adulta ao estilo do seriado que consagrou o comediante. Se você se interessar, mude a chave e ajuste a expectativa: o filme é similar ao A Fantástica Fábrica de Chocolate, porém mais desbocado e cheio de humor de 5a série. Um filme essencialmente infantil. Visto sob esta perspectiva, o filme diverte e faz rir na medida certa. Não é, certamente, um clássico da comédia, bem longe disso, mas funciona como uma diversão descompromissada, um filme de Sessão da Tarde daqueles bem mornos e inofensivos. No centro da história está a rivalidade entre duas empresas gigantes do ramo do café da manhã: a Kellogg’s (sim, a dos sucrilhos) e a Post, sua rival quase desconhecida aqui no Brasil. Jerry Seinfeld faz o protagonista da história, um executivo da Kellogg’s. É ele o responsável pelas pesquisas da companhia, que precisa descobrir antes da Post o biscoito recheado ideal, que vai representar a nova onda dominante no café da manhã das crianças. Do outro lado está a personagem de Amy Schumer, que também pesquisa este biscoito. A luta entre as duas companhias é, em si, uma piada, retratada quase como a corrida espacial ou a batalha pela bomba atômica durante a Segunda Guerra. E é neste cenário de competição que somos apresentados a todos os outros personagens do filme, interpretados por gente conhecida como Melissa McCarthy, Christian Slater, Peter Dinklage (de Game of Thrones), Jack McBryer (de Barbie) e James Marsden. Todos, absolutamente todos, exagerados, caricaturais e vestidos como desenhos animados. A presença de Hugh Grant é um capítulo à parte, com ele vivendo o ator por baixo da fantasia de Tony, o tigre símbolo dos sucrilhos, mas que encena secretamente peças de William Shakespeare. Destaque também para a dupla Jon Hamm e John Slattery, ambos do já clássico seriado Mad Men, vivendo justamente publicitários contratados pela Kellogg’s para trabalhar a campanha do novo biscoito. Espere, é óbvio, muitas piadas com os cereais. Entre os vilões estão o Sindicato dos Leiteiros, que age como se fosse uma máfia e tenta impedir o lançamento do biscoito porque ele não é acompanhado de leite. Em outro momento do filme, um dos personagens morre e em seu enterro, os participantes jogam leite e Corn Flakes no túmulo. Ainda acho que os críticos que não curtiram (todos, basicamente) tentaram buscar o renascimento da comédia no primeiro filme dirigido por Seinfeld, o que não é nem de longe a proposta aqui. Se não gostar - o que é bastante provável, já que muito pouca gente gostou - pode culpar o meu eterno gosto por comédias bobas. Tenho o riso extremamente fácil, quase tudo me faz rir e quanto mais boba e pueril é a piada, mais eu rio. O filme Unfrosted - A Batalha do Biscoito Pop-Tart foi produzido e está à disposição no catálogo da Netflix.