Robert Redford deu voz a cineastas independentes com o Sundance (Carlo Allegri/ Associated Press/ Estadão Conteúdo) Robert Redford, o galã clássico. Belíssimo, charmoso e elegante. Impressionante e cativante à primeira vista. Tão superlativo quanto visionário e revolucionário. Estrela de Hollywood, ele fez dessa aura o farol que iluminou artistas e cineastas independentes. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O golpe infalível desse mestre foi oxigenar a indústria apoiando novos profissionais. Apaixonado por cinema, ávido por ideias novas e criativas, este promotor da arte e da cultura materializou a sua generosidade criando o Sundance Institute, por meio do qual é realizado o Sundance Film Festival, o maior festival do cinema independente. Hoje, filmes e produtoras independentes competem com os grandes estúdios, eis o seu legado. Nascido Charles Robert Redford Jr., em 18 de agosto de 1936, em Santa Mônica, na Califórnia, o ator e cineasta morreu dormindo em casa, na terça-feira, aos 89 anos. Ele se foi em paz, certo de seu propósito e da missão cumprida na louca e hostil jornada da vida. Caronte já havia embarcado dois de seus quatro filhos. Scott teve morte súbita aos 2 anos, em 1959, e James morreu de câncer no fígado, aos 58, em 2020. Com a primeira esposa, Lola Van Wagenen, mãe de seus quatro filhos, teve ainda Shauna e Amy. Casou-se novamente com Sibylle Szaggars, sua companheira até o fim. Redford personificou o tipo romântico ideal do cinema norte-americano, aquele que habita os recônditos da mente e do coração de uma mulher. Não foi diferente comigo. Eu tinha 13 anos quando assisti ao filme Entre Dois Amores (Out of Africa, 1985), na TV Globo, no final dos anos 1980, e me apaixonei por Denys Finch-Hatton. O personagem real, imortalizado por Karen Blixen em seu livro autobiográfico, foi agigantado pelo charme dele. Redford teve dois grandes ciclos na indústria cinematográfica, vivenciando o auge como ator de 1969 a 1985 e como cineasta, de 1980 a 1998. Enquanto ator, colecionou personagens icônicos em filmes antológicos como Golpe de Mestre (The Sting, 1973), Todos os Homens do Presidente (All the President’s Men, 1976), Entre Dois Amores (Out of Africa, 1985) e Proposta Indecente (Indecent Proposal, 1993) – este último deu o que falar. Na pele de John Gage, oferece US\$ 1 milhão por uma noite com Diana (Demi Moore). Fãs brincavam que aceitariam 1 milhão de noites a US\$ 1 dólar cada com o galã. Ao lado de Barbra Streisand, o ator estrelou o drama Nosso Amor de Ontem (The Way We Were, 1973). O filme foi um sucesso. Redford ganhou o seu primeiro Oscar como diretor de Gente como a Gente (Ordinary People, 1980) em 1981, ano em que fundou o Sundance Institute, chamado assim em homenagem ao personagem que o projetou para o mundo, Sundance Kid, de Butch Cassidy and the Sundance Kid (1969), filme em que atuou com Paul Newman. Ele se destacou ainda com o drama político Rebelião em Milagro (The Milagro Beanfield War, 1988) e Quiz Show (1994). Em 2002, Redford foi agraciado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas com o Oscar Honorário por sua contribuição ao cinema como ator, diretor, produtor e fundador do Sundance Institute e do Sundance Film Festival, apoiando os cineastas independentes. A sua conexão com o Brasil se dá em dois momentos. Redford dirigiu a atriz Sônia Braga em Rebelião em Milagro, com quem teria vivenciado um breve romance, e ao apoiar Central do Brasil (1998), de Walter Salles, apresentado na seção Lançamentos do Sundance Festival e com roteiro premiado pelo Sundance Institute. Redford era ativista ambiental e foi laureado ainda com a Medalha Presidencial da Liberdade em 2016, entregue por Barack Obama. Para Robert Redford, que amava o cinema tanto quanto a vida.