Se antes viajar para acompanhar grandes competições era privilégio de poucos, hoje o chamado turismo esportivo movimenta milhões de pessoas, aquece economias locais e se tornou prioridade em estratégias de países, cidades e times que disputam a atenção do viajante. Dos jogos da NBA e da NFL nos Estados Unidos aos torneios de tênis na Europa, passando pelo calendário da Fórmula 1 e pelos megaventos como Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, o setor cresce em ritmo acelerado — e conta com um público fiel vindo do Brasil. Nos Estados Unidos, a NBA e a NFL são mais que ligas esportivas e se transformaram em espetáculos culturais que atraem visitantes de todo o mundo. O Super Bowl, por exemplo, é um dos maiores eventos globais, movimentando bilhões de dólares e transformando a cidade-sede em destino turístico durante a semana da final da liga de futebol americano. Para brasileiros, fãs do basquete e do “football”, assistir a uma partida ao vivo é uma experiência de viagem cada vez mais desejada, que começa antes do jogo, seguindo a tradição local. Na Europa, os tradicionais Grand Slams do tênis movimentam multidões. Wimbledon, em Londres, e Roland Garros, em Paris, atraem turistas que não apenas acompanham as partidas, mas prolongam a estadia para viver o charme da cultura local. Torneios menores e mais acessíveis, como o Miami Open, já contam com público brasileiro cativo, tendo até um grande banco brasileiro como seu principal patrocinador. (KIN CHEUNG/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO) A Fórmula 1 é outro exemplo de como o esporte impulsiona o turismo. O calendário anual percorre todos os continentes, e cada etapa transforma a cidade anfitriã em vitrine mundial. O GP de Mônaco é sinônimo de glamour, enquanto Abu Dhabi, Singapura e Miami somam corridas com shows, gastronomia e festivais paralelos. O Brasil, por sua vez, não é apenas sede de uma das etapas mais tradicionais — o GP de São Paulo, em Interlagos — como também figura entre os países que mais exportam torcedores para corridas internacionais. Para muitos brasileiros, acompanhar a F1 fora do país virou uma forma de unir paixão automobilística a novas experiências culturais. Os megaeventos esportivos são, sem dúvida, os maiores indutores de turismo. A Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos promovem o maior fluxo no turismo esportivo. Nas duas competições, a presença brasileira é sempre marcante. Só a Copa do Mundo de 2022, no Catar, recebeu 70 mil torcedores brasileiros que viajaram exclusivamente para ver os jogos. Força O brasileiro é reconhecido mundialmente como um turista esportivo apaixonado e vibrante. A alegria e a disposição para torcer se transformam em atrativo adicional aos próprios destinos, que veem na torcida do Brasil um elemento de espetáculo. Além disso, pesquisas de mercado mostram que o turista brasileiro gasta entre 25% e 40% a mais em viagens esportivas, seja com hospedagem, ingressos premium ou experiências adicionais, como shows e passeios, comparados com outras nacionalidades. A importância é tamanha que times da NBA como Orlando Magic e Miami Heat têm departamentos voltados ao turismo e para grupos, buscam ativamente clientes brasileiros, promovendo experiências singulares nos estádios e até criando eventos voltados para brasileiros, como a Brazil Night na arena do Orlando Magic, com cantores e atletas brasileiros se apresentando nos intervalos. A beleza do turismo esportivo é que ele é capaz de levar os viajantes a locais que eles jamais teriam pensado em visitar se não fosse por estas cidades abrigarem um grande time ou um grande ídolo. Pedro Braun é guia de turismo internacional, empresário e advogado. pedro@braunturismo.com.br