Wagner Moura e Greta Lee protagonizam drama apocalíptico (Divulgação/Netflix) Jason (Wagner Moura), Ann (Greta Lee) e seus dois filhos levam uma vida normal no subúrbio de uma cidade litorânea até que, de repente, são surpreendidos por uma chuva torrencial e ficam trancados dentro de casa, sem internet e TV, tendo que racionar comida e água. Aos poucos, a família Delgado descobre que precisa ficar unida e lutar contra uma força misteriosa para escapar da morte. Essa é a trama de A Última Casa, do diretor francês Louis Leterrier, que estreou na Netflix. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! À primeira vista, o espectador experimenta a sensação de que já viu isso antes. Não é para menos. O filme apresenta referências muito claras a clássicos do cinema, como Poltergeist (1982) e Tubarão (1975), ambos de Steven Spielberg, e Alien: O Oitavo Passageiro (1979), de Ridley Scott. Não chega a ser um tributo. A ideia central de A Última Casa surgiu de uma situação vivenciada pelo roteirista Matthew Robinson, enquanto brincava com o filho em casa. O primeiro ato do roteiro, porém, foi escrito durante a pandemia de covid-19, experiência que influenciou o tom emocional e a dinâmica psicológica dos personagens. O filme transforma essa experiência em uma ficção apocalíptica. Do confinamento, a trama parte para outra referência, Leviatã, o monstro marinho mencionado no Antigo Testamento, na Bíblia Sagrada, e citado no filme pela caçula Ruth (Riley Chung/Emma Ho), a primeira pessoa da casa a perceber que havia algo maior por trás do temporal. No longa, criaturas marinhas passam a dominar o planeta numa tentativa de restaurar o equilíbrio entre fauna e flora, mantendo os seres humanos presos dentro de suas próprias casas, como num aquário. A maioria morre de fome e sede. Os Delgado, porém, resistem. É na família que o filme encontra seu eixo emocional. A ameaça externa coloca à prova o dilema moral quando o que está em jogo é a sobrevivência, mas a família Delgado se mantém unida. Wagner Moura e Greta Lee apresentam atuações memoráveis como um casal que precisa permanecer unido durante anos de confinamento. O apoio mútuo se torna tão importante e determinante quanto a comida, a água e o abrigo. A Última Casa funciona melhor enquanto o mistério permanece intacto. As referências aos clássicos ajudam a construir essa atmosfera. De Poltergeist, o longa recupera a ideia de uma família confinada em casa, ameaçada por uma força muito mais poderosa do que ela, além de reconstituir, até o desfecho do filme, cenas antológicas do clássico do terror de 1982. Já Alien: O Oitavo Passageiro surge na construção gradual do medo e na presença de uma ameaça cuja natureza é inicialmente desconhecida, com direito à cena inspirada no clássico de Ridley Scott. O drama faz conexão ainda com Tubarão, sustentando o suspense com a ameaça oculta até boa parte do filme. No entanto, uma sequência de caça à criatura remete diretamente ao filme de Spielberg, que, por sua vez, se inspirou nos suspenses de Alfred Hitchcock. A Última Casa tem uma boa premissa, mas perde força à medida que as criaturas são desvendadas. O longa também quebra parte da emoção com o excesso de explicações nas cenas. Faltam pausas, olhares, dramatização e hesitações próprias de quem teme perder aqueles que ama frente a uma grande ameaça. Ainda assim, Wagner e Greta sustentam o aspecto mais humano da produção. A Última Casa funciona melhor quando olha para dentro do que quando tenta explicar o que existe fora. Afinal, se o mundo acabar, quem ficará conosco senão aqueles que sempre estiveram do nosso lado? O final é enigmático e deixa no ar a possibilidade de uma continuação. Assista! Boa semana!