Steven Soderbergh aparece mais criativo desde Os Outros (2001) (Divulgação/Diamond Films) O plano-sequência virou uma tendência no cinema e funciona muito bem no suspense Presença, do versátil Steven Soderbergh, que também está em cartaz na telona com o thriller de espionagem Código Preto (2025). Em ambos os filmes, com gêneros e temáticas diferentes, Soderbergh faz parceria com o roteirista David Koepp. O longa-metragem se desenrola da perspectiva de um fantasma aparentemente confuso, perdido no espaço-tempo, dentro de um sobrado centenário. Quando uma família — um casal com dois filhos — se muda para a propriedade, a Presença é sentida pela filha, Chloe, personagem da atriz Callina Liang. Ainda no elenco, Lucy Liu (As Panteras: Detonando e Kill Bill Volumes 1 e 2), que interpreta a mãe; Chris Sullivan (This is Us), o pai; e Eddy Maday, o filho. Mas o clichê da casa mal-assombrada para por aí. A trama se apresenta como um thriller psicológico e sobrenatural bifurcado em dois dramas paralelos que se conectam, pois o fantasma atormentado tenta interferir na vida dos moradores, mas não como estamos acostumados a ver em filmes do gênero. É a reinvenção do terror desde Os Outros (2001), de Alejandro Amenábar. O plano-sequência — quando as cenas ocorrem sem cortes — torna o filme dinâmico e aumenta o suspense sobre o que está por vir. Presença não segue o padrão de um clássico do terror sobrenatural e não assusta, mas prende a atenção do início ao fim. Afinal, o espectador assiste ao filme pelo ângulo de visão do fantasma, ou seja, como se fosse o próprio e, assim, sente a aflição do personagem incógnito. Além do drama familiar, o longa-metragem põe em pauta a crença em espíritos, a comercialização do dom da clarividência e o ceticismo. Recentemente, Soderbergh declarou que Presença foi inspirado em experiências que vivenciou em sua própria casa, em Los Angeles, onde uma filha matou a mãe no passado. Soderbergh dirigiu filmes como Traffic (2000) e Erin Brockovich, uma Mulher de Talento (2000), indicados ao Oscar em 2001, e Sexo, Mentiras e Videotape (1989), vencedor da Palma de Ouro em Cannes. Deixando tudo ainda mais intrigante, nos créditos finais de Presença há uma mensagem informando que, exceto pelo fantasma, todos os personagens e eventos são fictícios. Por fim, eis a questão: quem de fato é maligno: os vivos ou a entidade? Saio de férias nesta semana, mas retorno com mais análises sobre filmes em maio. Obrigada pela leitura e até breve! PALESTINO VENCEDOR DO OSCAR É SOLTO O palestino Hamdan Ballal, codiretor do documentário Sem Chão (No Other Land), vencedor do Oscar, foi libertado na terça-feira. Ballal disse que foi vendado e espancado depois de gravar o ataque de colonos judeus a uma vila na Cisjordânia. Israel afirmou que o cineasta era suspeito de atirar pedras em policiais que tentaram controlar um confronto de palestinos e colonos. DOCUMENTÁRIO SEM CHÃO O documentário Sem Chão retrata justamente os conflitos entre Israel e Palestina a partir do olhar de um coletivo de cineastas e ativistas palestinos-israelenses. Hamdan Ballal dirige o filme junto com o militante palestino Basel Adra e com o jornalista israelense Yuval Abraham. O longa-metragem está disponível no YouTube Filmes, Prime Video e Apple TV+.