(Adobe Stock) No início de dezembro, quando o inverno já domina o extremo norte da Europa e o sol praticamente desaparece do horizonte, as noites em Tromsø, na Noruega, parecem intermináveis. Foi nesse cenário de frio intenso, silêncio e escuridão que partimos em busca de um dos fenômenos naturais mais fascinantes do planeta: a aurora boreal. A jornada começa sem garantias. Caçar auroras, como dizem os guias locais, exige paciência — e também um pouco de sorte. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Durante horas, dirigimos por estradas cobertas de neve, deixando para trás as luzes da cidade em direção a regiões mais escuras da ilha e do continente ártico. O objetivo é simples, mas desafiador: encontrar um pedaço de céu limpo o suficiente para que o espetáculo aconteça. E quando ele finalmente surge, é impossível esquecer. Espetáculo no céu encanta e atrai visitantes de todos os continentes para a Noruega e países vizinhos (Alexandre Lopes/AT) Primeiro, um leve brilho esverdeado aparece no horizonte. Em poucos minutos, o céu começa a dançar. Faixas luminosas ondulam como cortinas no vento, mudando de forma e intensidade. O verde domina, mas há momentos em que tons de roxo, azul e até vermelho surgem nas bordas da luz. É um espetáculo silencioso, quase hipnótico. E profundamente emocionante. “Tem turista que chora quando vê a aurora boreal”, conta o guia norueguês Trygve Lakselvnes, enquanto observa o céu ao lado dos visitantes. “Muitas pessoas sonham com essa viagem por anos. Elas atravessam o mundo para viver esse momento”. Trygve trabalha como aurora hunter, literalmente um “caçador de auroras”, guiando visitantes pelas estradas geladas da região em busca das melhores condições para observar o fenômeno. Segundo ele, tudo começa no Sol. “A aurora boreal surge da explosão do Sol. Essa explosão envia partículas em direção à Terra e, quando elas atingem a atmosfera, produzem as luzes que vemos no céu. Geralmente a aurora é verde, mas ela também pode aparecer em vermelho, roxo ou azul. Quanto mais forte a explosão solar, mais cores conseguimos enxergar”. O fenômeno leva, em média, de um a três dias para viajar do Sol até nosso planeta. Mas encontrá-lo não depende apenas disso. “O mais importante é o céu limpo. Se você consegue ver estrelas, há boas chances de ver a aurora”, diz Trygve. “Mas nunca é totalmente previsível. Às vezes o céu está nublado e, mesmo assim, uma explosão solar muito forte pode permitir que ela apareça”. Aurora boreal é uma homenagem à deusa romana do amanhecer Aurora e ao deus grego do vento norte Bóreas (Alexandre Lopes/AT) Por isso, a rotina de quem sai para caçar auroras envolve longos deslocamentos. Dirigir por horas, mudar de direção, atravessar fiordes e montanhas. Tudo em busca de um céu aberto. E esperar. “Muitas vezes você precisa ficar em um lugar aberto e simplesmente esperar, esperar e esperar”, conta o guia. Quando o espetáculo finalmente acontece, a recompensa é imediata. Sob temperaturas negativas e cercados pelo silêncio da paisagem ártica, os visitantes observam o céu se transformar em um palco de luzes vivas e em movimento. É difícil traduzir em palavras. Magnífico. Hipnotizante. Inesquecível. Tromsø, aliás, se tornou uma das principais bases do mundo para esse tipo de experiência. Localizada acima do Círculo Polar Ártico, a cidade combina infraestrutura turística com acesso rápido a áreas de baixa poluição luminosa. “Tromsø é uma cidade muito acolhedora”, diz Trygve. “Recebemos pessoas do mundo inteiro”. A empresa dele é familiar e nasceu justamente dessa paixão pelo fenômeno natural. “Nós oferecemos o serviço de caça à aurora boreal e também outros traslados. Mas, mais do que encontrar a aurora, gostamos de criar relações com as pessoas. Sempre prezamos pelo bom atendimento e pela qualidade da experiência”. O repórter cinematográfico Danilo Santos, o jornalista Alexandre Lopes e o guia Trygve Lakselvnes: paciência e sorte para assistir a um espetáculo inesquecível (Alexandre Lopes/AT) Trygve também recebe visitantes em uma cabana localizada a cerca de uma hora de Tromsø. O espaço é extremamente acolhedor e preparado para turistas que sonham em ver o espetáculo do céu ártico. Ver a aurora boreal dali, cercado pela paisagem silenciosa da neve e pela família extremamente simpática do guia, torna a experiência ainda mais especial. No pacote oferecido aos visitantes estão roupas térmicas para suportar as temperaturas negativas, além de bebidas quentes e alimentos, que ajudam a tornar a longa espera sob o céu polar confortável — e inesquecível. No final da noite — ou melhor, da madrugada — todos voltam para Tromsø com a sensação de terem presenciado algo raro. Porque ver a aurora boreal não é apenas assistir a um fenômeno natural. É viver um momento. E poucos momentos na natureza são tão emocionantes quanto olhar para o céu e vê-lo dançar.