A demência se desenvolve em fases, com progressão que pode variar de pessoa para pessoa (AdobeStock) Esquecer conversas recentes, apresentar alterações repentinas de humor ou se confundir ao realizar tarefas simples do cotidiano podem ser sinais iniciais de um quadro de demência. A condição, que afeta principalmente pessoas idosas, compromete funções como memória, raciocínio, linguagem e comportamento, afetando diretamente a qualidade de vida. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A demência não se refere a uma única doença, mas sim a um termo genérico utilizado para classificar diferentes síndromes que provocam declínio das capacidades cognitivas. Entre os tipos mais frequentes estão o Alzheimer, a demência vascular e a demência frontotemporal, cada um com causas específicas e manifestações próprias. O que é demência? Demência é um termo utilizado para descrever um conjunto de sintomas relacionados à deterioração das funções cerebrais, como memória, linguagem, raciocínio e comportamento. Trata-se de um processo irreversível e progressivo, que tende a se agravar ao longo do tempo. Embora os tratamentos disponíveis não promovam a cura, é possível retardar sua evolução e controlar os sintomas. De acordo com informações divulgadas pelo Hospital Israelita Albert Einstein, apesar de ser mais comum em pessoas idosas, a demência também pode surgir em indivíduos mais jovens. Além dos desafios enfrentados pelos pacientes, a condição afeta profundamente os familiares e cuidadores, exigindo suporte emocional e uma rede de apoio estruturada. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de dois milhões de brasileiros convivem com algum tipo de demência. Estimativas apontam que, até 2050, esse número poderá aumentar, alcançando a marca de 6 milhões de casos. Quais os sinais de alerta? Os sintomas da doença variam de acordo com o tipo e o estágio da condição, mas alguns sinais são comuns nos primeiros quadros. Entre eles: Dificuldade para lembrar de eventos recentes ou antigos; Problemas de atenção e concentração; Alterações na fala e dificuldade para encontrar palavras; Desorientação e confusão; Incapacidade de executar tarefas simples do dia a dia, como escovar os dentes ou preparar uma refeição; Mudanças de humor e comportamento, incluindo momentos de agressividade. Quais os sete estágios da demência? Segundo o Hospital Albert Einstein, a demência se desenvolve em fases, com progressão que pode variar de pessoa para pessoa. No entanto, geralmente, a evolução da condição passa por sete estágios principais: Estágio inicial: pequenos esquecimentos e dificuldade em lembrar nomes ou palavras específicas. Estágio leve: desorientação em ambientes conhecidos e dificuldade em tarefas cotidianas. Estágio moderado: falhas graves na memória e dificuldade para se comunicar com clareza. Estágio moderadamente avançado: maior dependência para atividades como se vestir, comer ou manter a higiene. Estágio avançado: perda acentuada da memória, mobilidade reduzida e necessidade de cuidados constantes. Estágio severo: comprometimento da fala, problemas para engolir e total dependência. Estágio terminal: perda significativa das capacidades físicas e cognitivas, com cuidados paliativos indicados. Quais os tipos de demência? A demência não é uma doença única, mas sim uma categoria que engloba diferentes síndromes neurodegenerativas. Entre as mais frequentes, destacam-se: Doença de Alzheimer: é o tipo mais prevalente. Embora a causa exata ainda não seja totalmente compreendida, especialistas acreditam que a degeneração neuronal ocorre devido ao acúmulo anormal de proteínas no cérebro. Isso leva à perda progressiva das funções cognitivas, principalmente da memória. Demência vascular: provocada por falhas na circulação sanguínea cerebral, especialmente após eventos como AVC (acidente vascular cerebral). A falta de oxigenação em determinadas áreas do cérebro provoca morte celular e prejuízos cognitivos. Demência frontotemporal: afeta os lobos frontais e temporais do cérebro. Os sintomas envolvem mudanças de personalidade, comportamentos impulsivos, perda de empatia e dificuldades na linguagem. Demência de corpos de Lewy: associada à presença de estruturas anormais no cérebro chamadas corpos de Lewy, esta forma pode ser confundida com Parkinson. É caracterizada por alucinações, alterações motoras, rigidez muscular e problemas no sono. Demência de Parkinson: embora o Parkinson seja mais conhecido pelos sintomas motores, ele também pode evoluir para um quadro de demência em estágios mais avançados, com dificuldades de concentração, memória e comportamento. Doença de Huntington: trata-se de uma enfermidade genética rara que causa degeneração das células nervosas. Além de movimentos involuntários e sintomas psiquiátricos, pode desencadear demência. Quais são os fatores de risco? Não há uma única causa para o desenvolvimento da demência, mas alguns fatores aumentam significativamente o risco: Idade avançada; Histórico familiar; Hipertensão e doenças cardíacas; Diabetes mal controlado; Tabagismo; Estilo de vida sedentário e alimentação desequilibrada. O Hospital Albert Einstein destaca que a presença de fatores de risco não significa necessariamente que a pessoa desenvolverá demência, e que ela pode surgir mesmo na ausência deles. É possível se prevenir? Apesar de não existir uma fórmula para evitar a demência, hábitos saudáveis podem contribuir para reduzir o risco e proteger a saúde cerebral: Praticar atividades físicas regularmente; Manter uma dieta equilibrada, rica em vegetais, frutas e gorduras boas; Estimular o cérebro com leitura, jogos, música e novos aprendizados; Controlar o estresse; Manter uma vida social ativa e vínculos afetivos sólidos. Como é feito o diagnóstico e o tratamento? O diagnóstico da demência é complexo e envolve uma avaliação multidisciplinar. Como não existe um exame único para detectar a condição, são feitos testes cognitivos, análises laboratoriais, exames de imagem e entrevistas clínicas. O tratamento depende do tipo de demência e do estágio. As abordagens mais comuns incluem: Medicamentos para retardar os sintomas (como inibidores da colinesterase); Terapia ocupacional e estímulos cognitivos; Apoio psicológico para paciente e familiares; Intervenções nutricionais e físicas. Convivência com as pessoas que estão com demência Identificar os sinais de forma precoce e buscar orientação médica é essencial para garantir mais qualidade de vida ao paciente. Com acompanhamento adequado, é possível desacelerar a progressão da doença, adaptar o ambiente familiar e oferecer mais conforto e dignidade ao longo do tempo.