Mico-leão dourado está entre os animais (Divulgação) A biodiversidade brasileira é uma das mais ricas do planeta — mas também uma das mais ameaçadas. De acordo com a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), dezenas de espécies nativas enfrentam risco real de extinção nos próximos anos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! As causas vão desde o desmatamento desenfreado até o tráfico de animais silvestres, passando por atropelamentos, mudanças climáticas e conflitos com atividades humanas. A seguir, conheça algumas das espécies brasileiras mais emblemáticas que estão desaparecendo — e por que isso deveria nos preocupar. Mico-leão-dourado: o símbolo da conservação Com sua pelagem alaranjada e aparência quase mística, o mico-leão-dourado é um dos rostos mais conhecidos da luta ambiental no Brasil. Classificado como “Em Perigo” pela IUCN, esse pequeno primata vive apenas em fragmentos da Mata Atlântica do Rio de Janeiro. Sua sobrevivência depende de projetos de reintrodução e reflorestamento, já que mais de 90% de seu habitat original foi destruído. Graças a parcerias entre ONGs e governos, sua população vem crescendo lentamente — mas ainda está longe da segurança. Onça-pintada: a rainha das Américas sob ameaça Considerada o maior felino das Américas, a onça-pintada é classificada como “Vulnerável” no Brasil. A perda de habitat, principalmente na Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, somada a conflitos com pecuaristas, coloca essa espécie em risco contínuo. (Divulgação) Segundo o ICMBio, a caça ilegal também é uma das maiores ameaças. Sem corredores ecológicos e proteção efetiva, a espécie pode desaparecer de várias regiões em poucas décadas. Ararinha-azul: extinta na natureza, mas com chance de retorno A bela ararinha-azul, que ficou famosa no mundo todo com o filme Rio, foi declarada “Extinta na Natureza”. Nativa do sertão baiano, sua população selvagem desapareceu por causa da destruição de habitat e do tráfico ilegal. (Divulgação) Mas nem tudo está perdido: graças a programas internacionais de reprodução em cativeiro, alguns indivíduos já estão sendo reintroduzidos na Caatinga, reacendendo a esperança de recuperação da espécie. Anta: o jardineiro da floresta A anta é o maior mamífero terrestre da América do Sul e essencial para a dispersão de sementes em florestas e savanas. Mesmo assim, ela é considerada “Vulnerável”, vítima do avanço do agronegócio, caça e atropelamentos. (Reprodução) Estudos apontam que centenas de antas morrem anualmente nas rodovias brasileiras, especialmente no Cerrado e na Mata Atlântica. Peixe-boi-marinho: um gigante pacífico em perigo Gentil, herbívoro e ameaçado: o peixe-boi-marinho é uma das espécies marinhas mais emblemáticas do Brasil. Ele está classificado como “Em Perigo”, segundo a IUCN, devido à poluição, capturas acidentais, embarcações e perda de habitat costeiro. () Projetos como o “Peixe-Boi” do ICMBio têm conseguido resgatar e reabilitar animais, mas a espécie ainda vive sob constante ameaça. Tartarugas marinhas: cinco espécies ameaçadas O Brasil abriga cinco espécies de tartarugas marinhas: cágado-de-couro, tartaruga-cabeçuda, tartaruga-verde, tartaruga-oliva e tartaruga-de-pente. Todas enfrentam níveis de ameaça, conforme dados do Projeto Tamar e da IUCN. (Divulgação) As principais ameaças incluem pesca predatória, poluição plástica, mudanças climáticas e a destruição de áreas de desova. Graças a esforços de conservação, como o monitoramento de praias e soltura de filhotes, algumas populações vêm se recuperando lentamente. Muriqui-do-sul: o maior primata das Américas à beira da extinção Quase um “fantasma” da Mata Atlântica, o muriqui-do-sul é um primata imenso e dócil que vive apenas em remanescentes florestais. Está classificado como “Criticamente em Perigo” e sua população estimada não ultrapassa mil indivíduos. (Divulgação) A perda de habitat, o isolamento genético e a baixa taxa de reprodução dificultam a recuperação da espécie. Ele é considerado um dos mamíferos mais ameaçados do planeta. E no resto do mundo? A crise da biodiversidade não é exclusividade do Brasil. Espécies icônicas como o rinoceronte-de-java, o tigre-de-bengala, o urso-pardo-sírio, o orangotango-de-bornéu e até o elefante-africano estão sob ameaça crescente. Segundo o relatório de 2024 da IUCN, mais de 44 mil espécies em todo o mundo estão em risco de extinção, sendo que 1 milhão podem desaparecer nas próximas décadas, caso nada seja feito.