Colégio Canadá é um dos locais citados no livro (Sílvio Luiz/AT) Quase todo local antigo costuma carregar histórias macabras que ultrapassam gerações por meio da tradição oral. Pensando em preservar o patrimônio cultural representado por essas lendas, o cineasta e escritor Dino Menezes lançou o livro Contos de Terror e Lendas Macabras da Ilha de Santos, que reúne crônicas sobre o lado sombrio da cidade, baseadas em eventos reais e lendas urbanas. A obra também inspirou o evento “Passeio Assombrado de Santos”, realizado à noite, com o próprio autor como guia, apresentando os locais e suas histórias — uma parceria com a Secretaria de Cultura da Prefeitura de Santos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O passeio é gratuito, tem duração aproximada de 2h e inclui parada especial na antiga Prefeitura de Santos. A última edição ocorreu na sexta-feira (13), em parceria com o Festival de Cenas Teatrais (Fescete), no Valongo. Confira, a seguir, dez locais assombrados retratados nas crônicas do livro Contos de Terror e Lendas Macabras da Ilha de Santos, de Dino Menezes: Ponte do Canal da Rua Barão de Penedo Na escuridão dessa ponte, afirma-se que assassinos e pessoas em desespero encontraram ali seus fins brutais. Muitos dizem que as margens do canal abrigaram um antigo cemitério indígena, tornando o local carregado de uma energia triste — e, segundo relatos, ainda assombrado. Pedestres relatam arrepios, sussurros e a sensação de estarem sendo observados. Cadeia Velha Antigo presídio no Centro da cidade, a Cadeia Velha teria sido palco de enterros clandestinos em seu jardim central. À noite, há quem ouça gemidos recorrentes e veja luzes piscando sem explicação. Visitantes relatam sair do local com sensação de opressão, como se presenças invisíveis ainda circulassem pelas celas desativadas. Navio Raul Soares Próximo ao local onde ficava o navio-prisão Raul Soares, o Canal do Porto é cenário de mistérios. Marinheiros e pescadores afirmam ver manchas escuras na água e presenciar acidentes estranhos. Acredita-se que o navio carrega uma maldição: em certas madrugadas, figuras espectrais são vistas rondando o casco. Colégio Canadá Famosa por inspirar a lenda da “loira do banheiro”, a história do Colégio Canadá conta que, na década de 1960, uma jovem estudante morreu no banheiro da escola. Desde então, alunas relatam aparições de uma figura pálida de cabelos claros nos espelhos e corredores, além de choros inexplicáveis — especialmente à noite ou durante trotes. Museu de Pesca Localizado em um ponto marcado por antigos conflitos entre piratas e colonizadores, o Museu de Pesca é considerado por muitos como mal-assombrado. Relatos falam de cantos distantes ecoando pelos corredores e da presença do espírito do corsário Thomas Cavendish, que teria tentado se comunicar em busca de seu ouro perdido. Cemitério do Paquetá Fundado em 1854, o cemitério é conhecido por fenômenos curiosos. Uma figura felina — um gato preto sem dono — teria sido vista em inúmeros velórios ao longo de mais de um século. Além disso, há relatos recorrentes de vultos femininos chorosos circulando entre os túmulos durante a madrugada. Teatro Municipal Braz Cubas No teatro, uma presença misteriosa parece acompanhar cada apresentação. Funcionários relatam que o piano toca sozinho e que sussurros são ouvidos nas cabines, mesmo quando o local está vazio. Há quem diga que o espírito de um locutor fundador assiste silenciosamente às peças noturnas da plateia. Antigo Hotel Cassino Atlântico No terreno onde funcionou o Grand Hotel Cassino La Plage — construído em Guarujá, mas com histórias entrelaçadas à cidade de Santos — ocorreram mortes em quartos específicos, como o 44. Vozes, passos e choros são relatados por quem se aproxima do local, onde também pairam lembranças do suicídio de Santos-Dumont. Estação do Valongo Hoje transformado em ponto de cultura e arte, o prédio da antiga prefeitura é uma das paradas do passeio assombrado. Visitantes descrevem o local como denso e carregado, com relatos de sensações físicas como calafrios e vertigens. Acredita-se que eventos políticos e sociais traumáticos deixaram marcas espirituais ali. Casa da Frontaria Azulejada Com sua fachada histórica, a Casa da Frontaria Azulejada guarda a lenda de uma menina negra trancada em uma caixa, vítima de maus-tratos no passado. À noite, vizinhos relatam ouvir seus lamentos e soluços, especialmente vindos do interior escuro do casarão, como se sua dor ainda ecoasse entre os azulejos.