O consumo de chás deve ser feito com intervalos de pelo menos duas horas em relação ao uso de medicamentos (Divulgação / Freepik) Beber um chá para aliviar sintomas enquanto se faz uso de um medicamento é um hábito comum em muitos lares brasileiros. No entanto, o que parece uma prática inofensiva pode representar um sério risco à saúde. A combinação entre chás e remédios pode alterar o metabolismo das substâncias no organismo, potencializando ou anulando seus efeitos, e até provocar intoxicações. Médicos e farmacêuticos alertam que, apesar de naturais, as ervas contêm princípios ativos que interagem diretamente com os medicamentos e nem sempre de forma positiva. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O principal problema está na falta de informação. Muitos pacientes acreditam que, por ser natural, o chá não faz mal. Mas isso é um equívoco. O corpo não distingue uma substância natural de uma sintética: o que importa é o princípio ativo e como ele interage com o medicamento em uso. Há casos em que o chá interfere na absorção do remédio, reduzindo sua eficácia, enquanto em outros ele intensifica os efeitos colaterais. Um exemplo conhecido é o do chá verde, popular entre quem busca acelerar o metabolismo. A bebida contém cafeína e compostos antioxidantes que podem aumentar a pressão arterial e interferir na ação de medicamentos cardiovasculares ou para controle da tireoide. Outro vilão é o chá de camomila, considerado calmante, mas que pode potencializar o efeito de sedativos e ansiolíticos, levando à sonolência excessiva. Já o chá de gengibre, famoso por suas propriedades anti-inflamatórias, pode afetar a coagulação do sangue, o que é perigoso para quem usa anticoagulantes. Até mesmo ervas aparentemente inofensivas merecem atenção. O chá de erva-doce, por exemplo, é ótimo para cólicas e digestão, mas pode atrapalhar o funcionamento de alguns antibióticos. O mesmo ocorre com o chá de hibisco, que tem efeito diurético e pode reduzir a concentração de medicamentos no organismo. Pessoas com doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, devem ter redobrado cuidado, pois o uso contínuo de remédios aumenta a chance de interações indesejadas. A situação se agrava porque, em muitos casos, os pacientes não informam ao médico sobre o consumo de chás. O profissional pergunta sobre medicamentos, mas raramente sobre infusões naturais. E o paciente, por achar que não é relevante, omite. Esse é um erro que pode custar caro. Os especialistas recomendam que o consumo de chás seja feito com intervalos de pelo menos duas horas em relação ao uso de medicamentos e sempre com orientação profissional. Além disso, é fundamental evitar misturar várias ervas na mesma infusão sem saber como elas interagem entre si. Não existe problema em tomar chá, mas é preciso respeitar a dosagem, a frequência e o tipo de tratamento que está sendo feito. Para quem não abre mão da bebida, as opções mais seguras são chás suaves e sem interação conhecida, como o de hortelã e o de capim-limão, desde que consumidos de forma moderada. Já gestantes, lactantes e idosos devem evitar qualquer tipo de erva sem recomendação médica, pois seus organismos são mais sensíveis às variações químicas. A crença de que “natural não faz mal” ainda é um desafio para a saúde pública, principalmente em um país onde os remédios caseiros fazem parte da cultura. Mas a ciência é clara: a combinação de chás e medicamentos pode ser perigosa, e a melhor prevenção é a informação. O chá pode ser um aliado, mas, quando mal administrado, se transforma em uma armadilha disfarçada de cuidado.