Em muitos casos, a pessoa já nasce com essa característica, o que indica uma forma diferente de funcionamento cerebral (Imagem gerada por IA) Você consegue fechar os olhos e imaginar o rosto de alguém próximo? Ou visualizar mentalmente um lugar que já visitou? Para muitas pessoas, isso é automático. Mas para outras, essa capacidade simplesmente não existe e isso tem nome: afantasia. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A afantasia é uma condição em que a pessoa não consegue formar imagens mentais de maneira voluntária. Na prática, mesmo tentando imaginar algo simples, como o rosto de um amigo ou um cenário conhecido, não há qualquer imagem na mente. Apesar disso, quem tem afantasia consegue descrever pessoas, objetos ou lugares com base em fatos e memórias, mas sem recorrer à visualização mental. Como a afantasia afeta o dia a dia Embora não seja considerada uma doença, a afantasia pode impactar a forma como a pessoa pensa, lembra e planeja situações. Entre as principais características estão: Dificuldade ou incapacidade de formar imagens mentais Memória baseada mais em fatos do que em imagens Dificuldade em “reviver” lembranças visuais Menor vividez em sonhos Desafios em tarefas que exigem orientação espacial ou planejamento visual Mesmo assim, a condição geralmente não causa prejuízos significativos no cotidiano, já que o cérebro encontra outras formas de processar informações. Por que algumas pessoas não conseguem imaginar imagens A afantasia pode ter diferentes origens. Em muitos casos, a pessoa já nasce com essa característica, o que indica uma forma diferente de funcionamento cerebral. Outras possíveis causas incluem: Lesões cerebrais, como traumas ou AVC Alterações neurológicas na comunicação entre áreas do cérebro Em casos mais raros, fatores psicológicos, como estresse intenso Essas condições podem afetar a capacidade do cérebro de criar imagens internas, mesmo quando a memória e o raciocínio permanecem preservados. Como saber se você tem afantasia O diagnóstico deve ser feito por profissionais como neurologistas ou psicólogos. Um dos principais métodos utilizados é o chamado Questionário de Vivacidade de Imagens Visuais (VVIQ), que avalia o quão detalhadas são as imagens mentais ao imaginar cenas, rostos ou objetos. Além disso, podem ser aplicados testes complementares de memória, atenção e raciocínio para entender como a ausência de imagens mentais influencia outras funções cognitivas. Tem tratamento? A afantasia não tem cura, pois não é considerada uma doença, mas sim uma variação cognitiva. No entanto, existem estratégias que ajudam a contornar a ausência de imagens mentais, como: Uso de descrições verbais detalhadas Anotações e listas organizadas Mapas mentais e diagramas Exercícios cognitivos, como jogos de lógica Essas alternativas funcionam como “substitutos” das imagens mentais, permitindo que a pessoa organize ideias e execute tarefas normalmente. Vida normal, mente diferente Mesmo sem conseguir “ver” imagens na mente, pessoas com afantasia levam uma vida comum. Muitas, inclusive, só descobrem a condição na fase adulta, ao perceberem que outras pessoas conseguem visualizar mentalmente o que elas não conseguem. A afantasia mostra que não existe apenas uma forma de pensar. Enquanto alguns enxergam imagens, outros organizam o mundo por meio de palavras, conceitos e lógica. E, no fim das contas, ambas funcionam.