O que parece ser apenas um resfriado leve tem se mostrado, na prática, a porta de entrada para um quadro mais grave e preocupante em diversas regiões do Brasil. Em 2026, o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal responsável pela bronquiolite e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), já levou mais de 37 mil brasileiros a hospitais, com um número expressivo de internações de bebês, o grupo mais vulnerável a complicações graves. De acordo com o boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em abril, foram registrados até o momento 37.244 casos de SRAG, dos quais 15.816 tiveram confirmação de infecção por vírus respiratórios, com o VSR sendo responsável por 17,4% dessas infecções. O aumento nos casos preocupa, especialmente pela rapidez de evolução da doença e pela pressão crescente nos serviços de saúde, com 14 estados brasileiros em nível de alerta ou risco elevado. VSR: O vírus que se disfarça de resfriado A bronquiolite, causada pelo VSR, pode começar com sintomas bem comuns, como coriza, tosse seca e febre baixa, que são facilmente confundidos com um resfriado comum. No entanto, a doença evolui rapidamente, podendo se agravar em 24 a 48 horas. Para a infectologista pediátrica Carolina Brites, esse agravamento ocorre principalmente em bebês e crianças pequenas, cujas vias respiratórias estreitas e sistemas imunológicos ainda em desenvolvimento os tornam mais suscetíveis a complicações. “A bronquiolite pode começar de forma muito simples, mas os sinais de dificuldade respiratória podem aparecer de forma súbita. Quando a criança começa a respirar mais rápido ou com dificuldades, é um sinal de alerta”, alerta a Dra. Brites. Segundo ela, a movimentação da barriguinha e o esforço respiratório são indicadores claros de que o quadro está se agravando. Bebês: grupo mais vulnerável ao VSR O impacto do VSR é mais intenso em bebês menores de um ano, pois eles têm maior dificuldade para lidar com a inflamação nas vias respiratórias. Isso faz com que a bronquiolite evolua de forma mais rápida e grave, sendo necessária a internação em muitos casos. Além disso, prematuros e crianças com doenças pulmonares ou cardíacas apresentam risco ainda maior de complicações. “Em crianças com fatores de risco, a situação se agrava mais rapidamente. Elas precisam de um acompanhamento ainda mais cuidadoso e, muitas vezes, de internação hospitalar para garantir uma recuperação segura”, explica a especialista. Prevenção e cuidados essenciais Apesar da alta nos casos, a prevenção ainda é a melhor forma de evitar complicações. A Dra. Brites lembra da importância de medidas simples, como lavar bem as mãos, evitar contato com pessoas gripadas, e manter os ambientes ventilados, especialmente em locais com aglomeração. “Ambientes fechados e mal ventilados facilitam a transmissão do vírus”, alerta a infectologista. A vacinação de gestantes também se apresenta como um avanço importante na proteção contra o VSR, uma vez que ajuda a proteger o bebê nos primeiros meses de vida. A Dra. Brites destaca que isso tem contribuído significativamente para a redução de casos graves de bronquiolite em recém-nascidos. Tratamento e sinais de alerta O tratamento da bronquiolite, segundo a médica, é baseado em suporte clínico, como o fornecimento de oxigênio e a hidratação adequada. Não há um tratamento específico contra o VSR, e em casos leves, o acompanhamento pode ser feito em casa. No entanto, quadros mais graves podem exigir internação hospitalar. Jaqueline, mãe de uma criança que sofreu complicações devido à bronquiolite, compartilha sua experiência: "Logo que comecei a notar dificuldades respiratórias, percebi que o quadro da minha filha estava evoluindo rapidamente. Fomos para o hospital e foi essencial agir rápido."