(Divulgação) Manchas na pele e pequenos sinais no corpo podem ir além de uma questão estética e funcionar como alerta para problemas no coração. Especialistas do Instituto do Coração (InCor), ligado ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, chamam a atenção para alterações físicas que podem estar associadas a colesterol e triglicérides elevados, além de maior risco de aterosclerose. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Entre os sinais que merecem atenção está o chamado sinal de Frank, uma dobra diagonal no lóbulo da orelha. Também entram na lista o xantelasma (placas amareladas nas pálpebras), os xantomas tendinosos (nódulos firmes nos tendões, especialmente no de Aquiles) e o arco corneano (anel esbranquiçado ao redor da córnea). Segundo o diretor da Unidade de Hipertensão Arterial do InCor, Luiz Bortolotto, essas manifestações podem funcionar como marcadores visíveis de risco cardiovascular. De acordo com o especialista, a presença desses sinais deve motivar uma avaliação cardiológica, mesmo na ausência de sintomas clássicos como dor no peito ou falta de ar. “A investigação inclui exames de colesterol, triglicérides, glicemia e testes de imagem para verificar a formação de placas nas artérias. Não há necessidade de procurar atendimento de urgência; a avaliação pode ser feita em consulta de rotina”, explica. Durante o exame clínico, o médico pode identificar outros indícios importantes, como pulsos periféricos diminuídos, sopros nas carótidas, pressão arterial elevada e aumento da circunferência abdominal. Valores de pressão a partir de 140/90 mmHg já configuram risco cardíaco aumentado, segundo o especialista. Jovens também devem ficar atentos A presença desses sinais em pessoas jovens e aparentemente saudáveis chama ainda mais atenção. Nesses casos, podem indicar distúrbios metabólicos relevantes e reforçam a necessidade de investigação precoce e acompanhamento especializado para prevenir doenças cardiovasculares. O presidente do Conselho Diretor do InCor, Roberto Kalil Filho, ressalta que não existe relação direta entre o sinal de Frank, ou outras alterações cutâneas, e a ocorrência de infarto. No entanto, estudos já demonstraram associação entre o vinco no lóbulo da orelha e obstruções arteriais. “O sinal não é um fator de risco em si. Nem todos que apresentam essa característica terão doença cardíaca”, pondera. Fatores de risco continuam os mesmos Os verdadeiros fatores de risco para infarto seguem bem estabelecidos: hipertensão arterial, diabetes, sedentarismo, tabagismo, colesterol elevado e consumo excessivo de álcool. A gordura abdominal também está comprovadamente associada ao aumento do risco de doença coronariana. “Independentemente da presença ou não desses sinais, é fundamental manter hábitos saudáveis, praticar exercícios regularmente e realizar acompanhamento médico periódico”, reforça Kalil. A orientação dos especialistas é clara: o corpo pode dar pistas importantes sobre a saúde do coração — e prestar atenção a esses sinais pode fazer a diferença na prevenção.