Comprar um seminovo exige, entre diversas precauções, a busca por revendas multimarcas de confiança (Alexsander Ferraz/AT) Se comprar um carro zero quilômetro nem sempre é viável, a opção pelo seminovo segue firme. Fatores como preço mais baixo, desvalorização menor e a chance de encontrar um bom veículo soam atraentes. Mas, antes de fechar negócio, o interessado deve observar uma série de fatores. Tudo para não ficar no prejuízo, jogando pela janela um dinheiro suado - e ver o sonho em quatro rodas virar pesadelo. “O segmento de seminovos continua aquecido, em função do recente aumento de preços dos carros zero quilômetro. Isso normalmente acontece na virada do ano, que traz uma diferença maior sobre o preço desses veículos, que demora um pouco a reagir”, conta Ney Faustini, proprietário da Absoluta. Ele acrescenta que a alta dos juros, que aumentou o valor das prestações, principalmente nos financiamentos com pouca entrada, trouxe para o segmento de seminovos clientes de zero quilômetro cuja prestação deixou de caber no bolso. “Essa situação deverá trazer um crescimento da demanda, o que pode provocar aumento de preços.” Marcelo Marcelino, sócio-proprietário da Carmaxx, vê o mercado de carros seminovos estável na região, com exceção de Praia Grande, onde há crescimento constante no número de vendas. “De modo geral, em âmbito nacional, os carros com até 10 anos de uso estão indo bem nas vendas. Com juros altos, o cliente opta por um usado.” CUIDADOS Os dois especialistas citam uma série de cuidados a serem adotados na hora de comprar um seminovo. Para Faustini, por exemplo, uma observação imprescindível é comprar de lojas conhecidas, ou confirmar idoneidade de quem está vendendo. “O ideal é comprar de quem vai responder pelo que está vendendo, mesmo pagando um pouco mais, pois isso evita dissabores. Se for comprar de particular, alguns cuidados são necessários, como pesquisar sobre o carro, multas, fazer vistoria em empresa credenciada pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SP) e pesquisar o proprietário se não está com dívidas que possam recair sobre o carro”, reforça. Marcelino traz outra observação: verificar se existe perícia cautelar e, em caso positivo, no caso, se a empresa que fez é boa e a data da análise. “Se for o caso, refazer antes da compra, lembrando que ela confere estrutura do veículo, histórico e numerações, entre outros itens.” Também é preciso cuidado com transferências de dono muito recentes, que não sejam de lojistas. E a consulta de um mecânico de confiança também é essencial. “Isso ajuda na compra e verificação de itens como pneus, desgastes de volante, manopla de câmbio e estofados. Isso pode ajudar a comprovar a veracidade da quilometragem do veículo”, pontua Marcelino. Outro ponto a considerar: desconfie de valores baixos e não compatíveis com o mercado. “É recomendável pesquisar sobre o produto que estiver pretendendo comprar. Além disso, evitar comprar carro que não possa ser transferido imediatamente, ou só efetuar o pagamento quando estiver tudo certo para transferir”, complementa Faustini. MOTIVOS DA COMPRA Além das observações a serem feitas antes de adquirir um seminovo, um outro fator deve ser considerado: o perfil de quem vai fazer a compra, ou seja, ponderar se a aquisição é realmente válida e sob quais condições. “É preciso analisar o valor de revenda. Isso é importante e não está relacionado ao valor do carro zero quilômetro. Tem carro de valor mais alto que perde menos valor que alguns de valores mais baixos”, pondera Marcelino. Pensar numa rotina de uso para o veículo, ou seja, quantos quilômetros pretende usar em um ano, podendo mudar a compra para um carro mais robusto, por exemplo. “Há formas de saber se está na hora de trocar o carro. Um exemplo: veículos com mais de 6 anos de uso costumam dar mais manutenção. Também se há novas necessidades de uso, como mais um filho. Outra coisa é a procura de um carro mais confortável, pois com a idade vamos mudando os gostos também”, assegura Marcelino.