O vape representa um novo desafio para a saúde pública, especialmente no contexto da adolescência, quando o cérebro ainda está em desenvolvimento (Divulgação / Anvisa) O uso de cigarro eletrônico, popularmente conhecido como vape, vem crescendo rapidamente entre adolescentes no Brasil e no mundo. Segundo dados recentes do Ministério da Saúde, o número de jovens entre 13 e 17 anos que experimentam ou utilizam regularmente vape aumentou significativamente nos últimos anos. Especialistas alertam que, além do risco de dependência de nicotina, o hábito pode trazer consequências físicas e psicológicas graves, reforçando a necessidade de políticas públicas e campanhas de prevenção direcionadas ao público jovem. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Por que adolescentes recorrem ao vape? O interesse pelo vape entre jovens não se limita à curiosidade. Pesquisas mostram que diversos fatores contribuem para o aumento do uso: Pressão social e influência de colegas: A presença do vape em grupos de amigos e nas redes sociais estimula a experimentação. Marketing atraente: Aromas doces, design moderno e campanhas direcionadas a jovens tornam o produto apelativo. Curiosidade e sensação de rebeldia: Muitos adolescentes veem o vape como uma alternativa “menos prejudicial” ao cigarro tradicional. Segundo especialistas em adição, a combinação desses fatores cria um ambiente propício para a dependência precoce, especialmente entre os que possuem predisposição genética ou psicológica para vícios. Consequências do uso precoce O consumo de nicotina por meio do vape pode ter efeitos imediatos e de longo prazo: Dependência física e psicológica: A nicotina altera a química cerebral, tornando difícil a interrupção do uso. Problemas respiratórios: Estudos indicam inflamação das vias aéreas, tosse crônica e irritação pulmonar. Impactos cognitivos: Exposição precoce à nicotina pode afetar memória, atenção e aprendizado. Riscos cardiovasculares: Aumento da pressão arterial e alteração na frequência cardíaca são observados em usuários frequentes. Dados recentes e números oficiais Segundo o Ministério da Saúde, em 2024 cerca de 10% dos adolescentes brasileiros entre 13 e 17 anos já haviam experimentado vape, e 4% o utilizavam regularmente. A Sociedade Brasileira de Pneumologia alerta que esses números vêm crescendo devido à fácil disponibilidade do produto e à percepção equivocada de que seria menos nocivo que o cigarro comum. Sinais de dependência e prevenção Identificar o vício precocemente é fundamental. Alguns sinais incluem: Uso frequente e compulsivo do vape. Alterações de humor quando o aparelho não está disponível. Diminuição do desempenho escolar ou social. Estratégias de prevenção recomendadas por especialistas: Educação nas escolas sobre os riscos do vape. Campanhas de conscientização em redes sociais e mídias digitais. Envolvimento dos pais e responsáveis no acompanhamento do comportamento dos jovens. Políticas públicas que limitem o acesso de menores de idade a produtos de nicotina. Curiosidades e contexto global Nos Estados Unidos, o uso de vape entre adolescentes disparou na última década, com marcas investindo fortemente em publicidade digital. Aromas como frutas, doces e bebidas alcoólicas são proibidos em alguns países justamente por atraírem o público jovem. O Brasil discute regulamentações semelhantes, incluindo restrições à venda online e controle mais rigoroso de publicidade.