Acordo de livre-comércio fomenta debates sobre necessidade de crescimento sem comprometer gerações futuras (Pixabay) A embaixadora da União Europeia (UE) no Brasil, Marian Schuegraf, afirmou que UE e Mercosul têm interesses comuns em fortalecer cadeias de abastecimento resilientes, acelerar a descarbonização de suas economias e promover um crescimento simultaneamente competitivo e sustentável. A embaixadora falou sobre o tema durante o evento Diálogo Empresarial Mercosul-União Europeia, na sede da Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp), na Capital. O evento ocorreu poucos dias após a entrada em vigência provisória do acordo entre os dois blocos. No discurso, Schuegraf destacou que, embora temas como tarifas, cotas, regras de origem e procedimentos aduaneiros sejam pontos técnicos centrais, a questão principal é o impacto concreto do acordo. “Significa mais oportunidades, prosperidade e mais integração entre duas regiões que compartilham valores e interesses”, disse, citando áreas como transição verde, transformação digital, infraestrutura, energia limpa, agronegócio sustentável e economia circular. Segundo a diplomata, para empresas brasileiras, o acordo representa acesso preferencial ao mercado europeu, com mais de 440 milhões de consumidores, além de redução de custos, menos barreiras burocráticas, processos mais transparentes e regras mais estáveis para investir e exportar. Ela afirmou que, na prática, setores industriais poderão se integrar de forma mais profunda às cadeias globais de valor, enquanto pequenas e médias empresas tendem a ganhar melhores condições para alcançar novos mercados. Schuegraf também apontou benefícios para companhias europeias, que passariam a ter melhores condições para investir, produzir e inovar no Brasil, com potencial de geração de empregos, transferência de tecnologia e fortalecimento de cadeias produtivas. Na avaliação dela, o acordo amplia a concorrência em compras públicas na maior parte das licitações, tanto em nível federal quanto estadual, o que pode reduzir custos para administrações e contribuintes. A embaixadora disse ainda que “diante de tensões geopolíticas e incertezas econômicas, a iniciativa envia uma mensagem clara em favor do comércio aberto, sustentado por regras mutuamente benéficas”. Para ela, o setor privado é decisivo para transformar o texto negociado em resultados concretos, por meio de parcerias, projetos e investimentos. Schuegraf destacou que há espaço para explorar oportunidades em setores como energia e transporte, farmacêutico e químico, além de bens de consumo - incluindo alimentos e produtos agroindustriais. De acordo com ela, o acordo prevê a criação de comitês conjuntos para monitorar a implementação, com participação relevante das empresas. “Esse acordo não é apenas sobre comércio: é sobre confiança e sustentabilidade, sobre integração, sobre construir pontes num cenário internacional cada vez mais complexo”, concluiu a embaixadora. Prioridades Em discurso na sessão plenária do Parlamento Europeu em Estrasburgo, na França, onde recebeu a Ordem do Mérito Europeu, a ex-chanceler da Alemanha Angela Merkel ponderou na última terça-feira que, sem prosperidade econômica, a União Europeia também não poderá “proteger o clima nem garantir a biodiversidade”. Ela defendeu que “a sustentabilidade e o sucesso econômico são condições prévias para que os cidadãos europeus percebam a Europa como um valor agregado”. Nesse sentido, ela defendeu o relatório sobre competitividade do ex-presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, como um roteiro para que as instituições comunitárias trabalhem na recuperação desse potencial Benefícios • Para empresas brasileiras: – Acesso preferencial ao mercado europeu, com mais de 440 milhões de consumidores – Redução de custos, menos barreiras burocráticas, processos mais transparentes e regras mais estáveis para investir e exportar – Integração mais profunda às cadeias globais de valor – Pequenas e médias empresas com melhores condições para alcançar novos mercados • Para empresas europeias: – Melhores condições para investir, produzir e inovar no Brasil – Potencial de geração de empregos, transferência de tecnologia e fortalecimento de cadeias produtivas – Amplia a concorrência em compras públicas na maior parte das licitações federais e estaduais, reduzindo custos para administrações e contribuintes