A endometriose não tem cura, mas pode ser controlada com acompanhamento médico e tratamento adequado (Divulgação / Freepik) Cólicas intensas, dores abdominais que se estendem para as costas e o quadril, desconforto nas relações sexuais e até dificuldade para engravidar. Esses são sintomas que muitas mulheres enfrentam todos os meses e que, por muito tempo, foram tratados como “normais”. Mas, segundo especialistas, ter cólica forte e recorrente não é normal e pode indicar a presença de uma doença que atinge milhões de brasileiras: a endometriose. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! É comum que as mulheres passem anos convivendo com dores incapacitantes sem buscar diagnóstico. A normalização da dor menstrual é um dos principais motivos pelos quais a endometriose demora a ser identificada. Muitas pacientes acreditam que sofrer todo mês é parte natural da menstruação, e isso não é verdade. O que é a endometriose A endometriose ocorre quando o tecido semelhante ao endométrio, camada que reveste o útero, cresce fora dele, afetando órgãos como ovários, trompas, bexiga e intestino. Durante o ciclo menstrual, esse tecido também reage aos hormônios, inflamando e sangrando, o que provoca fortes dores e reações inflamatórias no organismo. É uma doença crônica e inflamatória, que pode comprometer a qualidade de vida e a fertilidade. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações e preservar a saúde reprodutiva da mulher. A Sociedade Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE) estima que cerca de 10% das mulheres em idade fértil, o equivalente a 8 milhões de brasileiras, convivem com a doença. Apesar disso, o tempo médio entre o aparecimento dos sintomas e o diagnóstico costuma ultrapassar sete anos. Os sinais de alerta Entre os sintomas mais frequentes da endometriose estão: Cólicas menstruais intensas, que pioram com o tempo; Dores durante as relações sexuais; Sangramento menstrual abundante ou irregular; Dores ao evacuar ou urinar, especialmente durante o período menstrual; Fadiga, distensão abdominal e desconforto pélvico constante; Dificuldade para engravidar. A intensidade da dor não está necessariamente ligada à gravidade da doença. Há mulheres com endometriose profunda que sentem pouca dor, e outras com lesões pequenas que sofrem bastante. O importante é ouvir o próprio corpo e procurar ajuda médica quando a dor foge do controle. Diagnóstico e tratamento O diagnóstico é clínico, complementado por exames de imagem, como ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e ressonância magnética. Em alguns casos, a confirmação ocorre por meio de videolaparoscopia. O tratamento varia de acordo com o grau e os sintomas, podendo incluir uso de medicamentos hormonais, analgésicos, fisioterapia pélvica e, em casos mais avançados, cirurgia laparoscópica para retirada dos focos da doença. De acordo com a especialista, a endometriose não tem cura, mas pode ser controlada com acompanhamento médico contínuo e tratamento adequado. “O objetivo é aliviar a dor, preservar a fertilidade e devolver qualidade de vida à paciente. Hoje há terapias muito eficazes, mas o sucesso depende do diagnóstico precoce”, ressalta. A importância de quebrar o tabu Além do tratamento médico, a conscientização é essencial. O silêncio em torno da dor menstrual faz com que muitas mulheres adiem a busca por ajuda. Dizer que sentir cólica é normal é uma das maiores armadilhas culturais. Precisamos desnaturalizar a dor feminina, defende a ginecologista. O apoio de familiares, amigos e colegas de trabalho também é importante, especialmente porque a endometriose é uma condição invisível. A mulher parece bem, mas está com dores intensas. O acolhimento faz toda a diferença no enfrentamento da doença. Vida após o diagnóstico Com o tratamento adequado, muitas pacientes conseguem retomar a rotina, praticar atividades físicas e até engravidar naturalmente. A fisioterapia pélvica, a alimentação anti-inflamatória e o acompanhamento psicológico podem contribuir para o controle dos sintomas. O diagnóstico não é o fim, mas o começo de uma nova fase. É possível viver bem com endometriose, desde que haja acompanhamento contínuo e autocuidado.