(Fifa/Divulgação) A Copa do Mundo encerrada no último dia 19 entrou para a história não apenas pelo futebol, mas também pelo avanço tecnológico. Inteligência artificial, sensores, visão computacional, câmeras de alta precisão e realidade aumentada passaram a fazer parte da rotina das partidas, transformando a forma como árbitros tomam decisões, emissoras produzem as transmissões e torcedores acompanham cada lance. Dentro e fora dos gramados, a competição disputada nos Estados Unidos, México e Canadá mostrou que o esporte vive uma nova era, em que tecnologia e futebol atuam lado a lado. Boa parte dessas novidades teve como objetivo reduzir erros de arbitragem e acelerar decisões. Ao mesmo tempo, os recursos tecnológicos também ampliaram a experiência de quem assistia aos jogos, oferecendo imagens inéditas, gráficos em tempo real e informações cada vez mais detalhadas sobre cada lance. Sensores na bola, inteligência artificial, impedimento semiautomático e publicidade virtual fizeram da Copa do Mundo um exemplo de inovação. Impedimento A linha do impedimento e seu rigor absoluto foi uma das principais marcas do Mundial. No modelo semiautomático, um sistema combinava rastreamento óptico por câmeras, inteligência artificial, sensores e algoritmos capazes de analisar os movimentos dos jogadores em tempo real. Ao todo, 16 câmeras instaladas em cada estádio captavam imagens a 50 quadros por segundo. O sistema identificava com precisão o instante exato em que a bola era tocada pelo jogador responsável pelo último passe, permitindo que a análise do impedimento fosse feita em poucos segundos. O serviço foi desenvolvido em parceria entre a Hawk-Eye e a Fifa. Outra novidade foi a utilização de animações tridimensionais produzidas por inteligência artificial para explicar ao público os lances revisados pelo VAR, tornando as decisões mais fáceis de compreender durante as transmissões. Câmera do árbitro A chamada Ref Cam voltou a ser utilizada após estrear na Copa do Mundo de Clubes do ano passado. O equipamento, instalado próximo à orelha do árbitro, transmite imagens e áudio em tempo real sob a perspectiva de quem conduz a partida. O recurso proporciona ângulos inéditos para as transmissões e aproxima o público da dinâmica do jogo, mostrando a visão do árbitro durante disputas de bola, cobranças de falta e momentos de tensão em campo. Publicidade “estática” A publicidade ao redor do gramado também ganhou uma nova dimensão. Das antigas placas fixas dos anos 1990 e 2000, os estádios passaram para painéis de LED dinâmicos, capazes de exibir conteúdos diferentes ao mesmo tempo para públicos distintos. Com a tecnologia Digital Overlay, as emissoras utilizam inteligência artificial, visão computacional e realidade aumentada para substituir virtualmente os anúncios exibidos nos painéis físicos. Assim, um torcedor no Brasil pode visualizar uma marca diferente daquela mostrada para quem acompanha a partida na Europa ou na Ásia, ampliando as possibilidades comerciais sem alterar a estrutura do estádio. Bola com sensor A tecnologia mais discreta — e talvez a mais impressionante — estava justamente na protagonista de toda partida: a bola Trionda, produzida pela Adidas. Ela trazia um sensor de movimento capaz de registrar cada toque realizado durante o jogo e transmitir essas informações instantaneamente ao sistema do Árbitro Assistente de Vídeo (VAR). O dispositivo era alimentado por uma bateria instalada no interior de um dos gomos da bola. Por isso, o equipamento precisava ser recarregado entre as partidas, como acontece com qualquer aparelho eletrônico. A eficiência do sistema ficou evidente nas oitavas de final, no confronto entre Portugal e Croácia. Se aquela partida tivesse sido disputada na Copa do Mundo de 2014, provavelmente terminaria empatada por 2 a 2 no tempo regulamentar. Nos acréscimos, Josko Gvardiol marcou para a Croácia, mas o VAR identificou que a bola havia tocado anteriormente em Igor Matanovic antes de chegar ao defensor. O contato, imperceptível a olho nu e sem alterar visivelmente a trajetória da bola, colocou um companheiro de equipe em posição irregular, levando à anulação do gol. Segundo a Fifa, os sensores são capazes de detectar até contatos extremamente leves — possivelmente até um desvio no cabelo do jogador — e gerar informações exibidas durante a transmissão em gráficos específicos, fornecendo aos árbitros um nível inédito de precisão para a tomada de decisões. A tecnologia foi desenvolvida em parceria entre a Adidas e a empresa alemã Kinexon, especializada em sistemas de rastreamento e análise de dados para o esporte.