Hábitos cotidianos que parecem inofensivos podem prejudicar sua saúde a longo prazo (Divulgação /Freepik) Dormir bem virou um desafio moderno. Entre o celular que nunca silencia, as preocupações do trabalho e o excesso de estímulos à noite, o corpo e a mente parecem ter esquecido como relaxar. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! E quando o sono não vem, o impacto vai muito além do cansaço no dia seguinte: afeta o humor, o metabolismo, a memória e até o coração. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 40% da população mundial tem algum tipo de distúrbio do sono, e o número cresce a cada ano — especialmente entre jovens e adultos que passam muito tempo conectados antes de dormir. O sono é uma função biológica essencial, não um luxo. Dormir mal altera todo o equilíbrio hormonal e emocional do corpo. O que causa o sono desregulado A dificuldade para dormir ou para manter o sono tem múltiplas causas. Entre as principais estão: Uso excessivo de telas antes de deitar (a luz azul dos aparelhos inibe a produção de melatonina, o hormônio do sono); Estresse e ansiedade, que mantêm o corpo em estado de alerta; Alimentação pesada ou irregular nas horas que antecedem o descanso; Falta de rotina de horários, o que confunde o “relógio biológico”; Excesso de cafeína, álcool ou nicotina; Ambiente inadequado, com luz, barulho ou temperatura desconfortável. Segundo a Associação Brasileira do Sono, a regularidade é o fator mais importante: “O corpo precisa de previsibilidade. Se você dorme cada dia num horário, o organismo não entende quando é hora de desligar.” Como o sono bagunçado afeta o corpo Uma noite mal dormida de vez em quando é normal. Mas o acúmulo de noites ruins pode gerar consequências sérias. Pesquisas mostram que dormir menos de 6 horas por noite de forma crônica aumenta o risco de doenças cardiovasculares, obesidade e depressão. Além disso, o sono irregular interfere em funções cognitivas essenciais: concentração, tomada de decisão e memória. É como tentar usar o celular com 10% de bateria o tempo todo. 7 hábitos simples que ajudam a dormir melhor Dormir bem não exige grandes mudanças — mas sim consistência. Veja as recomendações de especialistas para reprogramar seu descanso: Crie um horário fixo para dormir e acordar. Tente manter o mesmo padrão até nos fins de semana. Desconecte-se das telas pelo menos 1 hora antes de dormir. A luz azul dos dispositivos engana o cérebro e atrasa a produção de melatonina. Mantenha o quarto fresco, escuro e silencioso. O ambiente ideal para o sono tem temperatura entre 18 °C e 22 °C. Evite cafeína e bebidas energéticas à tarde. O efeito estimulante pode durar até 6 horas. Prefira refeições leves à noite. Evite alimentos gordurosos e álcool perto da hora de dormir. Inclua rituais de relaxamento. Ler um livro, tomar um banho morno ou praticar respiração profunda ajudam o corpo a desacelerar. Exponha-se à luz natural pela manhã. Isso ajuda a regular o ciclo circadiano — o relógio interno que comanda o sono e a vigília. Quando buscar ajuda médica? Se o sono desregulado persiste por semanas, é importante procurar um especialista. Distúrbios como insônia crônica, apneia do sono, síndrome das pernas inquietas e distúrbio do ritmo circadiano exigem diagnóstico profissional e tratamento específico. O tratamento pode envolver terapia cognitivo-comportamental, ajustes de rotina e, em alguns casos, o uso controlado de medicamentos sob orientação. Dormir bem é cuidar de si Ter um sono de qualidade não é apenas descansar: é permitir que o corpo se recupere, o cérebro processe memórias e o humor se estabilize. E a boa notícia é que, com pequenas mudanças, é possível retomar o equilíbrio. Um quarto mais escuro, uma rotina previsível e o hábito de se desconectar antes de deitar podem transformar as madrugadas insones em noites tranquilas.