A dificuldade com escadas pode ser um alerta valioso para demência em estágio inicial (Divulgação / Freepik) Quando pensamos em sinais de alerta para a Demência, incluindo a Doença de Alzheimer, geralmente se imagina perda de memória, confusão ou dificuldade em realizar tarefas diárias. Porém, estudos recentes apontam para um sintoma menos óbvio: dificuldade ou insegurança ao subir escadas, que pode indicar comprometimento da percepção visuoespacial e alerta para fases iniciais da doença. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O que está envolvido? A subida de degraus exige que o cérebro integre visão, equilíbrio, cálculo de profundidade e movimento, funções que dependem da chamada “consciência visuoespacial”. Um comprometimento nessa função pode se manifestar como: Eerro ao calcular a altura ou profundidade dos degraus, resultando em pisadas erradas ou tropeços; Movimentos mais lentos, hesitantes ou a necessidade excessiva de apoio no corrimão; Certa desorientação momentânea ou medo súbito de avançar; Aumento do risco de quedas ao subir ou descer, o que pode tanto gerar lesões quanto ser um indício de declínio funcional. Por que esse sintoma pode ocorrer? Pesquisas destacam que regiões cerebrais responsáveis pelo processamento visuoespacial, em especial o lobo parietal — podem ser afetadas nos estágios iniciais de demência. Além disso, estudos de “fragilidade” física observam que alterações em tarefas motoras simples (como subir escadas) podem surgir anos antes do diagnóstico formal de demência. Outras pistas para observar Se o familiar ou a pessoa sob sua atenção apresenta dificuldades ao subir escadas, vale também observar: Problemas para estacionar ou calcular distâncias no carro; Dificuldade em navegar em espaços conhecidos ou encontrar objetos em ambientes “bagunçados”; Maior dependência do tato ou do apoio para situações que antes eram simples; Em paralelo a isso, sintomas típicos como esquecimento, repetição de perguntas ou desorientação devem ser monitorados. O que fazer se notar esses sinais Uma abordagem precoce pode ajudar a melhorar qualidade de vida e retardar o avanço da condição. Algumas recomendações práticas: Agendar avaliação médica especializada: neurologista ou geriatra podem realizar testes cognitivos e investigar funções visuoespaciais. Adotar intervenção de mobilidade e equilíbrio: fisioterapia, exercícios de equilíbrio e fortalecimento muscular podem reduzir o risco de quedas e ajudar a manter autonomia. Estimulação cognitiva: jogos, atividades de coordenação motora, quebra-cabeças e tarefas que desafiem percepção e espaço podem colaborar com o cérebro. Ambiente mais seguro: certifique-se de que escadas têm corrimão adequado, iluminação forte, degraus com contraste, eliminando obstáculos que tornem a subida mais arriscada. Estilo de vida saudável: alimentação equilibrada, atividade física regular, sono de qualidade e controle de doenças como hipertensão, diabetes e obesidade ajudam a preservar a saúde cerebral. Embora tropeços ou hesitações ao subir degraus possam parecer apenas sinais de “velhice”, eles não devem ser ignorados, especialmente quando associados a outros indícios cognitivos. A identificação de um possível comprometimento visuoespacial, por meio de dificuldades com escadas, pode ser um alerta valioso para demência em estágio inicial, oferecendo uma janela de oportunidade para intervenção.