Quando a criança sente que não está sendo ouvida ou compreendida, o corpo e as atitudes passam a falar por ela. (Reprodução/Pixabay) Nem sempre o choro, o silêncio ou as manhas das crianças são apenas “fases”. Muitos desses comportamentos, quando repetitivos, são formas de expressar necessidades emocionais não atendidas. Especialistas explicam que o pedido de atenção pode ser um alerta para algo mais profundo, e que a forma como os pais reagem faz toda a diferença no desenvolvimento da criança. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! É comum ouvir que “criança faz birra para manipular”, mas psicólogos infantis afirmam que, na verdade, esse tipo de comportamento é uma forma de comunicação. Quando a criança sente que não está sendo ouvida ou compreendida, o corpo e as atitudes passam a falar por ela. Toda criança busca conexão. Quando ela não a encontra pelo diálogo ou pelo carinho, tenta chamá-la pela ação”. Isso pode se traduzir em gestos desafiadores, reações exageradas e até atitudes que parecem inofensivas, mas escondem um pedido de afeto. A seguir, conheça sete comportamentos comuns que as crianças utilizam para chamar atenção — e como os adultos podem lidar de forma empática e eficaz. 1. Birras frequentes e explosões emocionais As clássicas birras em locais públicos ou em casa, acompanhadas de choro intenso, gritos ou se jogar no chão, geralmente surgem quando a criança ainda não sabe expressar sentimentos de frustração. Quando o adulto só reage com bronca, a criança aprende que é preciso gritar mais alto para ser notada. 2. Falar sem parar ou interromper conversas Alguns pequenos parecem incapazes de esperar a sua vez para falar, especialmente quando os pais estão conversando com outras pessoas. Isso é comum, mas pode sinalizar uma necessidade de reafirmação da presença. A recomendação é garantir momentos exclusivos de atenção, sem celular ou distrações. Dez minutos de atenção plena por dia têm mais efeito do que horas de convivência mecânica. 3. Fazer travessuras de propósito Derrubar um copo, esconder objetos ou provocar os irmãos, tudo para ver a reação do adulto. Por trás do comportamento está o desejo de testar limites e se sentir visto. O problema não é a travessura em si, mas a reação que ela desperta. Se a criança só ganha atenção quando faz algo errado, é essa a associação que ela vai manter. 4. Apego excessivo e regressão Crianças que voltam a usar a fala infantil, pedem para dormir com os pais ou demonstram ciúmes de irmãos menores podem estar pedindo mais acolhimento emocional. Esses sinais geralmente aparecem em momentos de mudança, separação dos pais, chegada de um novo bebê ou início da escola. O ideal é respeitar o tempo da criança e reforçar o vínculo afetivo com rotinas previsíveis e gestos de segurança. 5. Isolamento repentino Nem todo pedido de atenção é barulhento. O silêncio e o afastamento também são formas de chamar atenção — especialmente em crianças maiores. Quando o pequeno se fecha ou evita contato, pode estar demonstrando tristeza, medo ou sensação de rejeição. A escuta empática é essencial: em vez de pressionar, é preciso estar disponível. 6. Exagerar em comportamentos “bonzinhos” Algumas crianças tentam agradar demais, sempre querendo ajudar ou ser “perfeitas”. Apesar de parecer positivo, isso pode indicar insegurança emocional e medo de desagradar. O excesso de obediência pode ser um pedido de amor disfarçado. A criança acredita que só será aceita se fizer tudo certo, explica a psicóloga. É importante reforçar que o afeto dos pais não depende de desempenho. 7. Queixas físicas constantes (sem causa médica aparente) Dores de cabeça, enjoo e desconfortos estomacais recorrentes podem ter origem emocional. O corpo infantil fala o que as palavras ainda não conseguem expressar. . Nesses casos, a avaliação médica é importante, mas o olhar atento para o contexto emocional também faz diferença. Conversas abertas e tempo de qualidade são os melhores remédios preventivos. O papel dos pais e cuidadores Segundo os especialistas, a melhor forma de lidar com comportamentos de busca por atenção é reforçar o vínculo afetivo sem ceder a manipulações. Isso significa oferecer empatia, mas manter limites claros. Os pais precisam entender que a atenção genuína é preventiva. Quando a criança se sente vista, ouvida e compreendida, ela não precisa gritar por isso”. .