Pressa, cobranças no trabalho, contas para pagar, problemas familiares e uma rotina em que parece faltar tempo para tudo. O estresse faz parte do cotidiano e, até certo ponto, é uma reação natural do organismo. O sinal de alerta aparece quando a tensão deixa de ser pontual, passa a acompanhar a pessoa por longos períodos e começa a provocar reflexos no corpo, na mente e até nos relacionamentos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O problema tem atingido uma parcela significativa dos brasileiros. Pesquisa da Ipsos realizada em 2025 apontou que 31% dos entrevistados no País chegaram a se sentir tão estressados que acreditaram não conseguir lidar com determinadas situações. Outros 39% disseram ter passado por essa sensação várias vezes. Nesse indicador, o Brasil apareceu na quinta colocação entre os países pesquisados. Mas, afinal, como diferenciar o estresse comum daquele que começa a prejudicar a saúde? Segundo o médico acupunturiatra Eduardo D'Alessandro, diretor de marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAESP), o estresse é uma resposta natural do organismo diante de situações que exigem adaptação. O problema ocorre quando esse estado de alerta permanece por muito tempo, sem períodos adequados de recuperação. “O estresse faz parte da vida e, em determinadas situações, pode até ajudar o organismo a reagir diante de um desafio. A preocupação começa quando ele se torna frequente, intenso e passa a interferir no sono, no trabalho, nos relacionamentos ou nas atividades do dia a dia”, explica. O corpo dá sinais Nem sempre o estresse aparece apenas na forma de preocupação, ansiedade ou irritação. O organismo também pode demonstrar que está sobrecarregado por meio de sintomas físicos. Tensão muscular, dores de cabeça, cansaço frequente, alterações no sono e problemas gastrointestinais estão entre os sinais possíveis. Dificuldade de concentração, irritabilidade, aceleração dos batimentos cardíacos e a sensação permanente de estar no limite também podem aparecer. “É importante observar quando esses sintomas deixam de ser pontuais e começam a fazer parte da rotina. O corpo pode dar sinais de que está sobrecarregado antes mesmo de a pessoa perceber o nível de estresse em que se encontra”, afirma D'Alessandro. Rotina pode aumentar sobrecarga Não existe apenas uma causa para o estresse. Excesso de trabalho, problemas financeiros, conflitos familiares, mudanças importantes na vida e situações prolongadas de pressão podem contribuir para que o organismo permaneça em estado de alerta. A própria rotina também pode dificultar a recuperação. Dormir pouco, não praticar atividades físicas, não reservar momentos para descanso e passar os dias sem pausas são fatores que podem aumentar a sobrecarga. Por isso, mudanças aparentemente simples podem fazer diferença. Melhorar a qualidade do sono, praticar exercícios, manter uma alimentação equilibrada e reservar períodos para lazer, descanso e técnicas de relaxamento são algumas das medidas que podem ajudar. Quando procurar ajuda? Se os sintomas persistirem ou começarem a interferir na vida profissional, familiar ou social, a recomendação é procurar avaliação de um profissional de saúde. O acompanhamento psicológico e, quando indicado, médico pode ajudar a identificar as causas do problema e estabelecer o tratamento adequado. A acupuntura também pode ser utilizada como abordagem complementar em alguns casos envolvendo sintomas associados ao estresse e à ansiedade, segundo D'Alessandro. “A acupuntura não deve ser vista como substituta de uma avaliação médica ou psicológica quando é necessária. Ela pode ser utilizada como parte de um cuidado integrado, de acordo com as necessidades de cada paciente”, ressalta. Mais do que tentar eliminar qualquer situação de tensão — algo praticamente impossível na vida cotidiana —, o cuidado passa por perceber quando o organismo já não consegue se recuperar adequadamente. Reconhecer os sinais e procurar ajuda quando eles se tornam persistentes pode evitar que o estresse passe de uma reação momentânea para um problema capaz de comprometer a qualidade de vida.