. Detectar cedo, agir com gentileza e consistência, e evitar o julgamento ou punição exagerada são chaves para ajudar seu cão a abandonar esse hábito indesejado (Divulgação / Freepil) Ver seu cachorro comendo cocô pode causar nojo, vergonha ou até desespero. Apesar disso, o comportamento, chamado tecnicamente de coprofagia, não é raro, nem sempre indica problema grave. Mas também não deve ser ignorado. Ele pode sinalizar carência nutricional, defeitos digestivos, estresse, tédio ou mesmo falhas no convívio e no adestramento. Neste especial, você vai descobrir as hipóteses mais comuns, o que observar, tratamentos possíveis, quando procurar ajuda profissional… e como ajudar seu companheiro peludo a deixar esse hábito para trás. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O que é coprofagia? Coprofagia é o termo veterinário que descreve o ato de ingerir fezes – as próprias (autocoprofagia) ou de outros animais (alocoprofagia). Não é um “truque” malvado do cachorro: muitos animais, no ambiente selvagem, ingerem fezes por motivos diversos, desde higiene até necessidades energéticas… Algumas dessas raízes ancestrais permanecem no comportamento canino moderno. Por que os cães comem cocô: causas mais comuns A coprofagia pode ter uma ou várias causas simultâneas. É importante observar os sinais do seu cão para tentar identificar as raízes do problema. Quais os riscos? Pode haver transmissão de parasitas intestinais ou de micro-organismos nocivos. Alterações digestivas, desconforto, náusea ou vômitos, especialmente se o cão ingerir fezes contaminadas. Problemas dentários ou no trato digestivo, caso haja ingestão frequente ou objetos sólidos junto com as fezes. Impacto psicológico: vergonha do tutor, estigmatização do animal, reforço de maus comportamentos se houver punição mal aplicada. Diagnóstico: quando procurar o veterinário Você deve consultar um profissional se: O comportamento começou de repente e é persistente. Há sinais clínicos: perda ou ganho de peso, fezes borradas, diarreia, vômito, apetite alterado. Se o cão já estiver com vermes ou doenças conhecidas do sistema digestivo. Se mudanças no ambiente, na dieta ou na rotina não surtirem efeito em semanas. O veterinário poderá solicitar:exame coproparasitológico, exames de sangue (verificar tireoide, função pancreática, glicemia, etc.), avaliação da dieta, qualidade da ração, consultas de comportamento e possivelmente acompanhamento com adestrador. O que você pode fazer: dicas práticas Aqui vão estratégias que têm bons resultados, segundo especialistas: Ajuste da dieta: ofereça ração de qualidade adequada à idade, porte e necessidades do cão. Se necessário, usar suplementos ou premixes indicados por veterinário. Controle de parasitas: vermifugação regular; manter higiene intestinal. Mais estímulo físico e mental: passeios regulares, brinquedos interativos, quebra-cabeças, jogos de farejar, socialização. Gerenciar o ambiente: limpar as fezes logo após o cachorro defecar; impedir acesso à caixa de areia de gato, se possível; evitar espaços muito confinados ou com poucos estímulos. Reforço positivo: recompensar comportamentos desejados; não usar punição ou bronca que possa gerar ansiedade ou vergonha. Produtos que ajudam: sprays com sabor amargo ou perfume que desestimulem o gosto; suplementos digestivos; pre/probióticos. Alguns casos relatam uso de produtos que alteram o sabor das fezes para o cão achar menos agradável. Hábitos que NÃO costumam funcionar Repreender fortemente ou castigos físicos: frequentemente causam mais medo e pioram o comportamento. Retirar a comida logo após o cão defecar sem plano de transição ou recompensa. Pode gerar confusão. Mudar radicalmente a dieta sem orientação veterinária: pode causar desequilíbrios ou intolerâncias. Quando a coprofagia é apenas fase Filhotes frequentemente exploram tudo com a boca; podem experimentar comer fezes sem que haja problema sério. Em muitos casos, o costume passa com amadurecimento. Após mudanças no ambiente (como mudança de casa, chegada de outro pet, alteração de rotina) alguns cães manifestam esse comportamento transitório de estresse.