Para Maristela Honda, jovens estão dispersos em tempo de redes sociais, mas ela ressalta a importância de se “esmerar” com cursos técnicos (Vanessa Rodrigues/AT) Nos últimos anos, o setor da construção lida com dificuldades para encontrar mão de obra. Além da necessidade de mais qualificação, analistas dizem que aumentou a competição do setor com ocupações criadas pelas novas tecnologias. Para a advogada e gestora Maristela Honda, presidente do Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo (Seconci-SP), a carência de mão de obra encontra eco, entre outras razões, na falta de apelo junto a uma geração de jovens que precisa, além da formação, disposição para trabalhar. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Hoje o jovem, infelizmente, está muito disperso, acha que a vida é fácil, No Instagram, tudo é lindo. Os cursos técnicos trazem uma realidade de conhecimento. E ele precisa se esmerar um pouco também”, diz Maristela, que visitou o Grupo Tribuna na semana passada. O Seconci é o serviço social da construção, assim como o Sesi está para a indústria. Maristela entende que uma melhor aceitação dos ofícios ligados à construção passa por um processo de atualização das nomenclaturas, que afasta eventuais preconceitos. “Antigamente, o filho tinha vergonha do pai porque trabalhava na construção civil. Hoje, mudamos a classificação para atrair o filho do trabalhador”. Maristela ressalta que o papel do Seconci-SP na capacitação dos profissionais da construção civil é importante. Parcerias com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Social da Indústria (Sesi) ajudam a atender demandas crescentes. “Com essas entidades, fazemos as capacitações profissionais, onde somos parceiros. O Senai tem toda a metodologia e nós fazemos adaptação ao interesse do empresário”, afirma. A presidente do Seconci destaca iniciativas em prol da segurança no trabalho, como o Falha Zero - Máquinas e Equipamentos. “A campanha visa capacitar e orientar os profissionais que atuam na construção, para que posteriormente os conceitos possam ser replicados nas obras a fim de prevenir acidentes”, explica Maristela. Em anos anteriores, iniciativas como Choque Zero e Queda Zero também contribuíram para a prevenção de acidentes. Maristela é um caso de resiliência no setor da construção civil. Ela, que é vice-presidente de Responsabilidade Social do Sindicato da Indústria da Construção do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), conta que sua persistência a fez prosperar em um ambiente que, por muito tempo, foi quase todo ocupado por homens. “Sempre fui muito persistente, porque eu tinha propósitos e sabia o que queria fazer. Também nunca achei que o homem foi um obstáculo para mim. Criei uma amizade muito grande com eles, mas nunca deixei de ser eu”, conclui. Seconci-SP garante atendimento médico na região O olhar social para o trabalhador da construção civil é o centro da atuação do Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo (Seconci-SP). Entidade filantrópica fundada há 61 anos por um grupo de empresários do setor, o Seconci-SP busca atender os trabalhadores do setor e seus familiares. “A entidade tem foco em saúde, segurança, qualidade de vida, tanto na parte da construção civil como nas organizações sociais, onde fazemos uma gestão mais humanitária”, diz a presidente do Seconci-SP, Maristela Honda. Com sede na Capital, o Seconci-SP mantém unidades ambulatoriais no Litoral (incluindo Santos, Praia Grande e Bertioga), que fazem atendimentos médicos, odontológicos, exames, serviços complementares e de apoio. A organização conta também com as unidades Móveis Médica e Odonto-lógica, que atendem os trabalhadores da construção diretamente nos canteiros de obras. Na Baixada Santista, são 14,2 mil assistidos, com 3 mil atendimentos médicos e 7,5 mil exames por mês. “O Seconci nasceu dentro do Sinduscon. Considero uma parceria muito boa. Todos são da construção civil, ex-presidentes. Isso cria maior facilidade no entendimento, quando você está mostrando algum projeto de interesse do setor. As pessoas falam a mesma língua”, diz. A sede de Santos, que fica no Macuco, está passando por melhorias nas instalações, modernização dos elevadores e atualização no sistema de ar-condicionado central. A previsão de entrega da obra é para dezembro. Organização social O Seconci-SP também atua como organização social de saúde desde 1988. Atualmente, a entidade faz a gestão de serviços estaduais (sete hospitais e nove Ambulatórios Médicos de Especialidades, uma delas em São Vicente) e municipais na Capital. “Tudo é gestão. Depende de onde você vai. Por exemplo, tocamos o Hospital da Mulher, antigo Pérola Byington, que é um tipo de gestão altamente técnica”, afirma a presidente do Seconci. “E tem aquelas que são um desafio, cheio de problemas e você está lá para melhorar a qualidade para atendimento do paciente. A construção civil também é assim: tem obra mais fácil e mais complicada. Dependendo do setor que você vai, é um outro tipo de projeto”, completa Maristela.