(Divulgação / FreePik) O sangramento nasal em crianças, comum em muitos lares, nem sempre está ligado apenas ao ressecamento das vias aéreas. Segundo especialistas, episódios frequentes podem indicar alterações no nariz, como desvio de septo, rinite alérgica ou até infecções respiratórias, exigindo atenção dos pais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com a otorrinolaringologista Letícia Pina, do Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE), sinais como respiração pela boca, sensação constante de nariz entupido e pequenos sangramentos recorrentes podem estar associados a alterações estruturais. “O septo nasal divide a cavidade em dois lados e, quando há desvio, pode haver dificuldade na passagem do ar”, explica. A obstrução nasal é um dos principais sintomas nesses casos e costuma ocorrer de forma mais intensa em um dos lados. A especialista ressalta que o desvio de septo pode estar presente desde o nascimento ou surgir ao longo do desenvolvimento, inclusive após traumas. Apesar disso, a cirurgia não é, na maioria das vezes, a primeira opção de tratamento na infância. “Como a face ainda está em desenvolvimento, priorizamos abordagens conservadoras, reservando a intervenção cirúrgica para casos mais graves”, destaca. Entre as causas mais comuns de sangramento nasal estão rinite alérgica, ressecamento da mucosa, infecções respiratórias, hábito de manipular o nariz e a presença de pequenos vasos dilatados na região. Alterações estruturais, como o desvio de septo, também podem contribuir para o problema, ao aumentar a exposição da mucosa ao fluxo de ar. Na maior parte dos casos, os episódios são leves e esporádicos. Ainda assim, a avaliação médica é recomendada para descartar condições mais sérias. “Sangramentos frequentes, presença de hematomas ou sangramentos em outras partes do corpo devem ser investigados”, alerta. Durante um episódio em casa, medidas simples podem ajudar a conter o sangramento. A orientação é comprimir a narina afetada por cinco a dez minutos e aplicar gelo envolto em um tecido. A criança deve manter a cabeça ereta e evitar assoar ou manipular o local. Por outro lado, situações como sangramento intenso, que não cessa, ou acompanhado de sintomas como tontura, palidez, fraqueza ou dificuldade respiratória exigem atendimento médico imediato. Na consulta, o diagnóstico é feito por meio de exame físico e, se necessário, com o uso de videoendoscopia nasal e exames laboratoriais para avaliar a coagulação. Para prevenir novos episódios, hábitos simples fazem diferença, como controlar a rinite alérgica, realizar lavagem nasal com soro fisiológico e manter a mucosa hidratada. Evitar ambientes com ar muito seco e orientar a criança a não cutucar o nariz também são medidas importantes.