(Adobe Stock) Embora os celulares existam há décadas e a segurança tenha evoluído bastante, é natural considerar que nenhum sistema ou hardware está 100% seguro quando se fala em dispositivos tecnológicos. “Devido à comodidade e à praticidade no uso diário, que tornaram os celulares armazenadores de diversos arquivos como documentos, fotos e vídeos, além do fato de os smartphones estarem quase sempre conectado à internet e oferecerem a possibilidade de acesso a diversos serviços, esses aparelhos se tornaram atrativos para a exploração de vulnerabilidades”, afirma o especialista em cybersecurity e coordenador de TI do Colégio Jean Piaget, Glauber Cardoso Mendes dos Santos. Professor universitário e sócio-proprietário da Meta Sistemas, Claudio Souza Nunes lista cinco principais erros cometidos no dia a dia e que podem tornar ainda mais vulneráveis o celular e os dados que estão no aparelho. Usar senhas fracas ou repetidas é uma medida ruim. “Muitas pessoas usam senhas fáceis de adivinhar (como 123456 ou datas de aniversário) ou repetem a mesma senha em várias contas. Assim, se um serviço for invadido, o criminoso pode testar a mesma senha em outros aplicativos ou sites”, justifica. Não atualizar o sistema e os aplicativos é prejudicial. “As atualizações geralmente corrigem falhas de segurança. Quando deixamos de atualizar, ficamos expostos a brechas que já são conhecidas pelos invasores”, afirma. Baixar aplicativos de fontes não confiáveis também não é recomendado. “Aplicativos fora das lojas oficiais (Play Store e App Store) podem ser criados para roubar dados ou instalar vírus no celular”, alerta. Autorizar permissões desnecessárias pode complicar a vida do usuário. “Às vezes, damos acesso a microfone, câmera ou contatos a aplicativos que não precisam disso. Se o app for mal-intencionado, ele pode capturar e enviar essas informações sem que você perceba”, comenta. Abrir links ou anexos suspeitos também integra a lista. "Mensagens falsas (phishing) podem parecer de bancos ou empresas conhecidas, mas são tentativas de roubo de dados”, lembra. Sete passos pela segurança Por outro lado, Nunes menciona sete passos que aumentam a segurança digital do celular. Um é ativar senhas seguras ou biometria. “Usar senhas fortes (misturando letras, números e símbolos) ou biometria (digital, reconhecimento facial) para dificultar o acesso ao aparelho”, explica. Manter o sistema e aplicativos atualizados com regularidade para corrigir falhas de segurança ajuda no processo. Usar somente lojas oficiais de aplicativos reduz bastante o risco de baixar um app que prejudique seu aparelho. Desconfiar de links e anexos recebidos por mensagem é fundamental. “Verificar sempre a origem. Se não tiver certeza, não clicar”, afirma. Ativar a verificação em duas etapas é interessante para habilitar a camada extra de segurança (geralmente por SMS ou aplicativo autenticador) para redes sociais e aplicativos de banco. Fazer com frequência cópias de segurança, os backups, é recomendável, guardando fotos, documentos e outros arquivos importantes na nuvem ou em meio externo. “A última é ter cuidado com Wi-Fi público, evitando acessar bancos ou serviços importantes em redes públicas sem proteção; se precisar, usar uma rede virtual privada (VPN)”, finaliza. (Reprodução) Backup: qual o melhor jeito de fazer? Ter backup dos dados é muito importante por três motivos, lembra o professor universitário e sócio-proprietário da Meta Sistemas, Claudio Souza Nunes. Uma razão é que a prática protege contra perda acidental. “Em caso de roubo do celular, quebra do aparelho ou até falhas de software que apaguem seus dados, você não perde tudo”, argumenta. A outra é que evita danos irreparáveis, pois fotos e arquivos de valor afetivo ou profissional podem ser recuperados. A última é que facilita a troca de celular. “Ao comprar um novo aparelho, o processo de restaurar contatos, fotos e aplicativos fica muito mais simples”, afirma. Os locais adequados para backup, segundo Nunes, são os serviços de nuvem (Google Drive, iCloud, One Drive e outros) e HDs externos ou pen drives. “Os primeiros são práticos, pois armazenam seus dados na internet, permitindo acessá-los de qualquer lugar. Já os últimos formam cópias offline, ideais para quem não quer depender apenas da nuvem. Mas é preciso ter cuidado para não perder ou danificar esses dispositivos físicos”, alerta. Tática O especialista em cybersecurity Glauber Cardoso Mendes dos Santos recomenda uma estratégia chamada de 3-2-1. Ou seja, três cópias dos dados, em duas mídias diferentes, como, por exemplo, um HD e um pendrive e mais um armazenado em local diferente das outras duas cópias. “Com esta estratégia, é reduzido significativamente o risco de perda permanente dos dados, uma vez que há três formas de recuperação. Em um cenário havendo a falha de uma das mídias de backup local, ainda se tem a segunda, e no caso de falha das duas, há o backup externo”, afirma. (Reprodução) Um celular na rua e outro em casa pode ser uma boa ideia O especialista em cybersecurity Glauber Cardoso Mendes dos Santos não considera exagero que a pessoa tenha dois celulares: um para sair na rua com menos informações e outro para ficar em casa, com aplicativos diversos, como os de bancos e outros que precisem de dados pessoais. “Esta opção oferece uma camada extra de segurança, pois aplicativos bancários e informações confidenciais podem ser mantidos com acesso restrito apenas ao dispositivo guardado em casa. Esta, inclusive, é uma das melhores medidas de prevenção e segurança”, justifica. Depende Professor universitário e sócio-proprietário da Meta Sistemas, Claudio Souza Nunes acredita que a prática é interessante dependendo da rotina, do nível de preocupação com segurança e do quanto a pessoa carrega de informações sensíveis no aparelho usado no cotidiano. “Se você leva um aparelho com poucos dados na rua, em caso de roubo ou perda, os prejuízos de privacidade ou financeiros são menores. Deixar seu celular principal, com contas de banco e dados importantes, apenas em casa reduz a chance de exposição a riscos de rua (assaltos ou furtos)”, afirma. Por outro lado, Nunes também expõe razões que fazem com que a ideia não seja tão necessária para a maioria das pessoas. “Uma é custo e praticidade. Manter dois aparelhos exige mais dinheiro para comprar e assinar planos, além de demandar mais cuidado com carga de bateria, atualizações e outras coisas. Além disso, se você adotar as práticas de segurança, talvez não precise de outro celular. Em geral, pessoas que lidam com dados muito sensíveis ou têm maior risco de serem alvos (empresários, jornalistas e políticos, por exemplo) podem se beneficiar de ter mais de um aparelho. Para a maioria das pessoas, medidas de segurança digital robustas em um só celular costumam bastar”, justifica.