Aitu AI Robot é equipado com IA e visão computacional, capaz de identificar, separar, segurar, posicionar e alinhar tecidos (Adobe Stock e Imagem gerada por IA) As novas tecnologias têm mudado a realidade da indústria, de forma geral. A inteligência artificial (IA), por exemplo, é um fator de disrupção nos processos, sendo essencial em diversos segmentos. A indústria têxtil não fica atrás - e um exemplo disso está na Feira Brasileira para a Indústria Têxtil e de Confecção (Febratex), que termina amanhã, em Blumenau (SC). Um robô que manipula tecidos flexíveis é uma das atrações do evento. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O Aitu AI Robot é equipado com IA e visão computacional. O sistema consegue identificar, separar, segurar, posicionar e alinhar tecidos, além de abastecer máquinas de costura programáveis, alimentar equipamentos para aplicação de bolsos e retirar materiais de prensas. A proposta é automatizar tarefas que exigem precisão e repetição. Para o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Valente Pimentel, a chegada do Aitu AI Robot prova que a IA está avançando em áreas que, até pouco tempo atrás, era consideradas de difícil automatização, como a manipulação de tecidos e outros materiais flexíveis. “Nós estamos lidando com o tecido, que é um material que se mexe muito, não é uma chapa de aço, então sempre houve essa dificuldade maior e ainda existe. Os avanços estão ocorrendo, isso é muito importante”, afirma Pimentel, lembrando a liderança dos países da Ásia nesse processo. Segundo ele, a indústria vai precisar cada vez mais de tecnologia para elevar a produtividade, melhorar a qualidade, reduzir desperdícios, aumentar a segurança e a ergonomia no trabalho e, principalmente, competir nesse mercado global cada vez mais tecnológico e desafiador. “Eu lido muito com planos de investimentos de países como Índia, Bangladesh, Malásia, China e Vietnã, e todos têm avançando rapidamente nessa agenda. Nós não podemos ficar para trás”, avalia. Não é troca Pimentel reforça que a melhora tecnológica não é simplesmente substituir pessoas por equipamentos com IA, mas transformar processos e o perfil do trabalho. “Algumas funções certamente vão ser modificadas, enquanto outras que não existem ainda vão ser criadas. Isso vai exigir novas competências em programação, operação, manutenção, controle de processo e integração de tecnologias e integração da cadeia produtiva”, crê. Para ele, um país que tem esse modelo integrado leva grande vantagem, porque consegue fazer troca de dados se avançar nessa direção corretamente. “Isso evita desperdícios, estoques indesejados e tudo mais que acaba gerando perda de rentabilidade e redução de competitividade”. O dirigente da Abit lembra que a indústria têxtil no Brasil emprega mais de 1,3 milhão de pessoas, e a utilização da tecnologia permite o fortalecimento do setor. “A apresentação de soluções como o robô na Febratex e outras que virão é muito importante, porque aproxima a indústria brasileira do que está definindo o futuro da manufatura”. Competividade Ele enxerga possibilidade de avanços graças a acordos comerciais entre Mercosul e União Europeia e outros que estão negociação, com Canadá e Japão. “É uma jornada irreversível, que precisa de condições macroeconômicas também adequadas e um custo de capital que permita o investimento. O empresário vive entre carga tributária, juros, uma pressão importadora enorme e concorrência brutal internacional, mas são países que têm outras regras de produção. Nós temos custos muito elevados que têm que ser reduzidos, sob pena de a gente não conseguir fazer os investimentos necessários”, finaliza. ()