Pesquisadores identificaram substâncias importantes, como ácidos amargos, óleos essenciais e, principalmente, polifenóis, compostos com forte ação antioxidante (Divulgação/ André Rolim Baby/ FCF-USP) Pesquisadores brasileiros descobriram que resíduos de um dos principais ingredientes da cerveja podem ser reaproveitados na produção de protetores solares. O estudo, conduzido pela Universidade de São Paulo, indica que o lúpulo, especialmente quando descartado após o processo de fabricação da bebida, possui propriedades capazes de contribuir para a proteção da pele contra os danos causados pela radiação ultravioleta. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Durante a produção da cerveja, o lúpulo pode ser adicionado em diferentes etapas. Quando inserido após a fermentação, parte de seus compostos não é totalmente aproveitada e acaba sendo descartada. Foi justamente esse resíduo que despertou o interesse dos cientistas. Ao analisar o material, os pesquisadores identificaram substâncias importantes, como ácidos amargos, óleos essenciais e, principalmente, polifenóis, compostos com forte ação antioxidante, capazes de ajudar na proteção da pele contra os efeitos nocivos dos raios UV. A pesquisa foi liderada pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP e teve seus resultados publicados na revista científica Photochemistry and Photobiology. Em laboratório, foram desenvolvidos dois tipos de extratos de lúpulo: um proveniente do resíduo da fabricação da cerveja e outro sem esse reaproveitamento, para comparação de eficácia. Os testes mostraram que ambos apresentaram capacidade fotoprotetora quando incorporados a filtros solares com proteção contra raios UVA e UVB. No entanto, o extrato reaproveitado demonstrou desempenho superior. Segundo o pesquisador Daniel Pecoraro Demarque, o resultado pode estar relacionado à eliminação de substâncias voláteis durante o processo de produção da cerveja, o que concentra compostos mais eficazes para a fotoproteção. Apesar dos resultados promissores, os cientistas alertam que o produto ainda não está pronto para chegar ao mercado. De acordo com André Rolim Baby, são necessários novos estudos para garantir a segurança e a eficácia do protetor solar com lúpulo, incluindo testes clínicos, padronização dos compostos e avaliação da estabilidade do produto a longo prazo. Além de abrir caminho para novas alternativas mais naturais na área de cosméticos, a descoberta também reforça a importância do reaproveitamento de resíduos industriais, contribuindo para práticas mais sustentáveis.