A lista de redes sociais cresce e muda em uma velocidade difícil de acompanhar (AdobeStock) Instagram, TikTok, Threads, X, BeReal, Instant. A lista de redes sociais cresce e muda em uma velocidade difícil de acompanhar. O que hoje é tendência nas telas pode perder espaço em poucos anos — ou até desaparecer da rotina dos usuários, como aconteceu com o Orkut. Em meio a tantas transformações, acompanhar as novidades parece algo natural para a geração Z. Mas por que as redes sociais mudam tão rápido? E o que leva os usuários a migrarem de uma plataforma para outra? É claro que, em um mundo em constante transformação, elas também entram nessa corrida. Com novas plataformas surgindo a todo momento e disputando a atenção dos usuários, as redes precisam se reinventar para continuar em alta. Afinal, quem não acompanha as mudanças corre o risco de perder relevância e acabar ficando para trás no universo digital. Segundo o professor universitário de Marketing Digital Fernando Russell, um dos motivos que levam os jovens a migrar de uma rede para outra é a busca por espaços considerados mais “exclusivos”. #UMESPAÇOSÓNOSSO Um exemplo disso é o Facebook, plataforma que já foi uma das mais populares do mundo, mas que hoje raramente faz parte da rotina da gen Z. Essa mudança tem uma explicação. “Quando o jovem viu seus pais, tios e até avós entrarem no Facebook, eles sentiram a necessidade de migrar para um lugar onde tivessem liberdade de publicar suas atividades longe dos olhos e dos comentários inapropriados dos familiares por perto. Em geral, é um movimento geracional”. #COPIA&COLA “Copia, mas não faz igual”. A frase é conhecida e também parece valer para as redes sociais. Quando uma nova plataforma surge, a inovação costuma chamar a atenção dos seus seguidores. Mas, como comenta o professor, as gigantes da tecnologia têm cada vez mais o poder de absorver ideias que fazem sucesso. O resultado? Recursos parecidos aparecem em diferentes aplicativos. É só lembrar dos vídeos curtos do Instagram, que seguem uma lógica semelhante à do TikTok, ou dos Stories, inspirados em uma ferramenta criada pelo Snapchat. “Anos atrás, os jovens começaram a engrossar um fluxo migratório do Instagram para o Snapchat. A Meta, proprietária do Instagram, quis comprar a plataforma rival, mas não teve sucesso. Com isso, eles criaram os Stories, que era uma cópia da fórmula do Snapchat. Mais tarde, o Instagram também adotou os vídeos rápidos do TikTok, que avançava rapidamente entre os jovens”. Ao reunir diferentes formatos e tendências em um só lugar, o Instagram consegue continuar atraindo usuários e se manter entre as redes sociais mais populares por anos, sendo o ‘queridinho’. #TRANSFORMAÇÕES Dos ‘scraps’ - recados do Orkut - aos vídeos virais do TikTok, muita coisa mudou na internet nos últimos 20 anos. Mas essas transformações vão além das telas e ajudam a esclarecer como os hábitos, interesses e comportamentos das pessoas também evoluíram ao longo desse período. “É uma trajetória um tanto triste, porque no ‘desabrochar’ das redes sociais as pessoas entravam no Orkut para rever amigos antigos, para conhecer novas pessoas. Depois, perceberam que poderiam ganhar dinheiro e notoriedade sendo influenciadores digitais, a ponto de hoje termos, só no Brasil, 4 milhões de ditos influencers correndo atrás do sonho de se tornar rico e famoso”, pontua Russell. Ele também faz um alerta: a mudança no comportamento dos usuários, cada vez mais presos no feed infinito das redes sociais, envoltos em ciclos de curtidas, vídeos curtos e notificações, acelerando a liberação de dopamina e tendo mais dificuldades na rotina fora das telas.