(Divulgação) No contexto do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, dois temas ganham destaque na área da saúde feminina: a reconstrução mamária e a conscientização sobre o lipedema. Ambos têm impacto direto na autoestima, no bem-estar e na qualidade de vida de muitas mulheres. Uma das iniciativas voltadas para esse cuidado é o projeto Projeto Mama Minha, idealizado pelo cirurgião plástico Fernando Amato. A proposta é oferecer reconstrução mamária para mulheres com deformidades ou que passaram por mutilação da mama, muitas delas aguardando por anos na fila do Sistema Único de Saúde (SUS). Desde a criação, o projeto já realizou mais de 120 cirurgias de reconstrução mamária. A iniciativa reúne doações, parcerias institucionais e apoio de recursos públicos e privados, além da colaboração da equipe de Cirurgia Plástica do Hospital São Paulo e da Escola Paulista de Medicina. Segundo Amato, o impacto da cirurgia vai além da questão estética. “A mama para a mulher tem um significado muito importante. Quando a paciente tem a sua mama mutilada, ela se sente incompleta e, com o projeto, proporcionamos não só a reconstrução da mama como o resgate da autoestima dessa mulher”, afirma o especialista. Lipedema ainda é pouco diagnosticado Outro tema que ganha atenção neste período é o lipedema, condição que afeta predominantemente mulheres e ainda é pouco diagnosticada no Brasil. O problema se caracteriza pelo acúmulo desproporcional de gordura, principalmente em braços, coxas e pernas. Além da alteração no formato do corpo, o lipedema pode causar dor, sensibilidade ao toque e facilidade para o surgimento de hematomas. Em muitos casos, a condição é confundida com obesidade ou problemas circulatórios, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequado. “Não se trata apenas de excesso de peso, mas de uma condição médica específica que provoca uma distribuição anormal de gordura. Os pacientes costumam apresentar dor, sensibilidade ao toque e facilidade para desenvolver hematomas”, explica Amato. Entre os sinais que ajudam a identificar o lipedema estão a sensação de peso nas pernas, cansaço, presença frequente de manchas roxas e dor nas regiões afetadas. Em casos mais avançados, a condição pode até comprometer a mobilidade. Tratamento começa com medidas clínicas O diagnóstico do lipedema é feito principalmente por avaliação clínica, com análise do histórico da paciente e exame físico detalhado. Exames de imagem, como ultrassom e ressonância magnética, podem ajudar a confirmar o diagnóstico e orientar o tratamento. Segundo o especialista, a cirurgia não é a primeira opção. Inicialmente, o tratamento costuma envolver medidas clínicas, como controle da dor, fisioterapia, uso de compressão e mudanças no estilo de vida. A lipoaspiração pode ser indicada apenas em casos selecionados e após tentativa de tratamento clínico. “É preciso respeitar limites de segurança. Em geral, a quantidade de gordura retirada na cirurgia deve ficar entre 5% e 7% do peso corporal da paciente”, explica Amato. Para o médico, ampliar a informação sobre o lipedema e facilitar o acesso à reconstrução mamária são passos importantes para melhorar a qualidade de vida de milhares de mulheres. “Quando falamos de saúde feminina, estamos falando também de autoestima, dignidade e bem-estar”, conclui.